A Volkswagen, maior montadora da Europa, enfrenta um grande desafio nesta quinta-feira, quando seu conselho fiscal se reúne para discutir propostas de reestruturação que incluem o fechamento de até quatro fábricas na Alemanha e o corte de até 100 mil empregos. A reunião ocorre na sede da empresa em Wolfsburg, enquanto trabalhadores protestam contra a reestruturação.
Pressão sobre a Volkswagen
Diante de altos custos e excesso de capacidade no mercado interno, crescente concorrência chinesa e tarifas de importação dos EUA, a Volkswagen está sob pressão sem precedentes para reestruturar o modelo de negócios que sustentou seu sucesso por décadas. A perspectiva de fechamento de fábricas e cortes drásticos de empregos em uma das empresas mais tradicionais da Alemanha, fundada há 89 anos, também ressalta os desafios para a maior economia da Europa, que enfrenta crescimento fraco e altos custos de mão de obra e energia.
Reunião do conselho fiscal
Na reunião do conselho fiscal prevista para esta tarde (horário local), o presidente-executivo Oliver Blume precisará convencer os influentes representantes sindicais do conselho a aceitar cortes mais profundos em todo o grupo, que inclui as marcas Audi e Porsche. Ele também está sob pressão das famílias proprietárias da Porsche e da Piech, cujos principais investimentos perderam dezenas de bilhões de euros em valor de mercado nos últimos anos.
Protestos dos trabalhadores
Em Wolfsburg, os trabalhadores apitavam, agitavam bandeiras vermelhas do sindicato e marchavam atrás de uma faixa com os dizeres “gemeinsam stark” — “fortes juntos” — enquanto uma buzina soava ao fundo. O sindicato IG Metall informou que cerca de 400 pessoas estavam se manifestando somente em Wolfsburg.
Um porta-voz da Volkswagen disse que a empresa compartilha das preocupações dos trabalhadores em relação ao futuro, mas está reduzindo a complexidade e se concentrando em tecnologia para fortalecer sua competitividade. “Estamos ajustando nosso portfólio de investimentos e simplificando nossas estruturas corporativas”, disse o porta-voz em comunicado enviado por email. “E sim, também teremos que reduzir o excesso de capacidade.”
Detalhes da reestruturação
No que seria a maior reestruturação da Volkswagen até o momento, fontes afirmaram que Blume está considerando fechar quatro fábricas na Alemanha — em Hanover, Emden, Zwickau e a unidade da Audi em Neckarsulm — e cortar até 100 mil empregos, aproximadamente o dobro do número planejado atualmente. A produção em Zwickau e Emden deve ser encerrada gradualmente em cinco anos, informou a revista Spiegel, citando fontes do conselho fiscal. A fábrica de veículos comerciais de Hanover seguiria o mesmo caminho em 2032, e a fábrica da Audi, em 2034.
Estrutura de poder e posição do governo
O conselho fiscal da Volkswagen inclui representantes das famílias proprietárias, dos sindicatos e do governo do Estado da Baixa Saxônia, uma estrutura de divisão de poder que muitas vezes complica a tomada de decisões. Antes da reunião, a revista WirtschaftsWoche informou que a Baixa Saxônia estava disposta a aceitar o fechamento de fábricas, embora uma fonte do governo estadual tenha descartado isso como “um completo absurdo”.
Acordo anterior e busca por alternativas
No âmbito do último acordo de reestruturação de Blume, no final de 2024, os sindicatos garantiram um compromisso da administração de evitar o fechamento de fábricas na Alemanha, levando a Volkswagen a buscar usos alternativos para instalações subutilizadas. Esses esforços incluem uma busca de longa data por um parceiro do setor de defesa para a fábrica de Osnabrück e a possibilidade de produzir na Alemanha modelos projetados para o mercado chinês.
Dados de capacidade
Dados da Mobility Global analisados pela Reuters estimam que as fábricas de automóveis do grupo na Alemanha operarão a 81% da capacidade padrão em 2026. Espera-se que esse número caia para 73% até o final da década, mesmo após a retirada prevista de Osnabrück da rede. Entre as quatro unidades ameaçadas de fechamento, prevê-se que Zwickau tenha a maior taxa de utilização em 2026, de 88%. Mas espera-se que esse número caia para 42% até 2030, segundo os dados.



