Trump deixa comissão eleitoral sem integrantes antes do pleito de novembro nos EUA
Trump deixa comissão eleitoral sem integrantes nos EUA

O ex-presidente Donald Trump deixou a Comissão Eleitoral Federal (FEC, na sigla em inglês) sem integrantes suficientes para operar, a menos de quatro meses das eleições de novembro nos Estados Unidos. A FEC, responsável por fiscalizar o financiamento de campanhas e fazer cumprir as leis eleitorais, está agora sem quórum para tomar decisões, o que paralisa suas atividades.

Comissão sem quórum desde julho

A FEC é composta por seis membros, mas desde julho de 2026 conta com apenas três integrantes, número insuficiente para formar quórum (que exige pelo menos quatro votos). Trump, que venceu as primárias republicanas e é o candidato do partido à presidência, não submeteu novos nomes ao Senado para preencher as vagas. A situação é inédita em um ano eleitoral desde a criação da comissão, em 1975.

Segundo especialistas em direito eleitoral, a paralisia da FEC abre espaço para abusos no financiamento de campanhas, já que não há órgão federal capaz de investigar denúncias ou aplicar multas. "A ausência de uma comissão funcional cria um vácuo de fiscalização que pode ser explorado por todos os lados", afirmou Richard Hasen, professor de direito da Universidade da Califórnia, em entrevista ao jornal The Washington Post.

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Impacto nas eleições de novembro

Com a FEC inoperante, as campanhas podem arrecadar e gastar recursos sem supervisão federal. A situação beneficia especialmente candidatos com grandes doadores, como Trump, que já arrecadou mais de US$ 500 milhões para sua campanha, segundo dados da própria FEC coletados antes da paralisia. A ausência de fiscalização também dificulta o combate à interferência estrangeira, tema central desde as eleições de 2016.

A Casa Branca, sob o governo do presidente Joe Biden, criticou a inação de Trump. "O ex-presidente está sabotando a própria democracia ao deixar a comissão sem membros", disse a secretária de imprensa, Karine Jean-Pierre, em coletiva. "Precisamos de uma FEC funcional para garantir eleições justas."

Pressão para nomeações

Líderes do Partido Republicano no Senado, como Mitch McConnell, têm pressionado Trump a indicar nomes, mas até agora sem sucesso. A indicação precisa de aprovação do Senado, onde os republicanos têm maioria estreita. Sem a nomeação, a FEC só poderá retomar atividades se houver acordo bipartidário para indicar novos membros, o que é improvável em meio à polarização.

A situação já gerou ações judiciais. Um grupo de eleitores entrou com uma petição na Justiça Federal pedindo que a corte obrigue Trump a nomear membros, alegando que a paralisia viola o direito dos cidadãos a eleições transparentes. O caso deve ser julgado nas próximas semanas.

Enquanto isso, as campanhas seguem em ritmo acelerado. Trump lidera as pesquisas de intenção de voto entre os republicanos, e seu comitê já anunciou gastos de US$ 100 milhões em anúncios para os próximos meses. A FEC, sem quórum, não pode analisar se esses gastos estão dentro da lei.

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