O enólogo Paulo Nunes, da Casa da Passarella, valoriza a singularidade do Dão, enraizada no terroir e na tradição da região. Desde 2008, Nunes trabalha para preservar a identidade regional, integrando métodos ancestrais ao estudo de uvas nativas como Encruzado e Uva-Cão, especialmente diante das mudanças climáticas.
Preservação da identidade regional
Paulo Nunes explica que o Dão se distingue por seu terroir único, que combina solos graníticos, altitudes elevadas e clima atlântico. "O Dão tem uma personalidade muito própria, fruto de séculos de tradição", afirma o enólogo. Para manter essa essência, ele utiliza técnicas ancestrais, como fermentação em lagares de pedra e estágio em grandes tonéis de carvalho.
Além disso, Nunes dedica-se ao estudo das castas nativas, como a Encruzado (branca) e a Uva-Cão (tinta), que se adaptam melhor às condições locais e conferem autenticidade aos vinhos. "Essas uvas são o patrimônio genético da região", destaca.
Inovação e sustentabilidade
A Casa da Passarella, vinícola familiar, aposta em inovação para enfrentar as mudanças climáticas. "Estamos experimentando novos métodos de cultivo e vinificação para garantir a qualidade mesmo com temperaturas mais altas", conta Nunes. A vinícola também investe em práticas sustentáveis, como o uso racional de água e a redução de produtos químicos.
O resultado são vinhos que conquistaram mercados exigentes, como o Japão. "O paladar japonês é muito refinado, e nossos vinhos têm sido bem recebidos por lá", comemora o enólogo.
Diversidade de vinhos
A Casa da Passarella produz uma gama diversificada, desde brancos frescos e frutados até tintos encorpados e de guarda. Entre os destaques estão o Passarella Encruzado, um branco mineral, e o Passarella Uva-Cão, um tinto elegante. "Queremos mostrar a riqueza do Dão em cada taça", conclui Nunes.



