Em entrevista à Fox News neste sábado, 1º, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, avaliou que a situação da Venezuela "demanda tempo" e que, no fim, será preciso um momento de transição com eleições legítimas. O primeiro passo, segundo ele, é a reconciliação nacional.
Venezuela: reconciliação e transição política
Rubio afirmou que os venezuelanos vivem divididos politicamente há muito tempo. "Trata-se de um povo que, politicamente, vive dividido e em conflito há muito tempo. Será preciso observar modelos como o que se viu no Leste Europeu após a queda da União Soviética", declarou. Para o secretário, o governo americano pode atuar como facilitador desse processo.
"Acredito que o papel que o governo dos EUA pode continuar desempenhando é o de facilitador de todo esse processo", completou. A fala indica que Washington pretende seguir engajado na mediação da crise venezuelana, ainda que sem apresentar um plano detalhado de prazos. Rubio, que é secretário de Estado do governo Donald Trump, tem histórico de posições duras contra o governo venezuelano. Em declarações anteriores, ele já defendeu sanções e pressão diplomática para isolar Caracas. Dessa vez, no entanto, o tom foi de paciência estratégica, com ênfase na estabilização antes de qualquer plano de recuperação econômica.
Fase 1: estabilização; fase 2: recuperação econômica
Além do processo político, Rubio destacou que a Venezuela ainda enfrenta muitos problemas econômicos. "É por isso que sempre falamos sobre a fase um. Nossa prioridade era a estabilização, não queríamos que o país se transformasse em guerra civil, migração em massa, agitação civil e assim por diante", explicou. Segundo ele, a segunda fase é a recuperação.
Para que essa etapa avance, Rubio defende uma economia funcionando, com leis e regras em vigor. O objetivo seria permitir que investidores dos Estados Unidos e de todo o mundo entrem no país com segurança e "criem prosperidade". A referência ao Leste Europeu pós-Soviético sugere que o modelo de transição política e econômica pode servir de inspiração para a política americana na região.
Cuba: espionagem e influência
O secretário também falou sobre Cuba. Em sua avaliação, apesar de ser um país pequeno, a ilha é uma "superpotência de influência e espionagem". "Se você olhar para a história da espionagem nos Estados Unidos, Cuba é o único país que consistentemente implantou e embutiu espiões em nosso sistema sem nem mesmo pagá-los", declarou. Para Rubio, a influência cubana não se limita ao período da Guerra Fria, mas segue presente na atualidade.
Rubio citou ainda o caso de Ana Belén Montes, cubana que atuou como agente dupla nos EUA. Na visão dele, o episódio é um símbolo de uma das maiores falhas de inteligência de Washington e "uma das maiores penetrações no sistema".
China: diálogo com uma grande economia
Em relação à China, Rubio ressaltou a importância de manter um bom diálogo com uma das "economias mais poderosas do mundo". De acordo com o secretário, a relação entre o presidente Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, é de respeito mútuo. A China, por sua vez, é tratada por Rubio como uma potência econômica que exige relação contínua, mesmo diante das tensões comerciais e geopolíticas.
As declarações a respeito dos três países mostram as prioridades da política externa americana: transição democrática na Venezuela, atenção à influência cubana e manutenção do diálogo estratégico com Pequim.
Principais declarações de Rubio
- Venezuela: "demanda tempo" para uma transição com eleições legítimas.
- Reconciliação nacional é o primeiro passo.
- EUA devem ser facilitadores do processo.
- Prioridade atual é a estabilização.
- Segunda fase será a recuperação econômica.
- Cuba é uma "superpotência de influência e espionagem".
- Ana Belén Montes representa uma das maiores falhas de inteligência dos EUA.
- Relação China-EUA deve ser mantida por diálogo.
As observações de Rubio indicam que a administração Trump não aposta em uma solução imediata para a Venezuela. Ao associar a transição a eleições legítimas e à recuperação econômica, o secretário sinaliza que o processo pode levar tempo e exigirá engajamento internacional.



