Em meio à tragédia dos terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira, uma notícia trouxe esperança: Aaron Levi Cantillo foi resgatado com vida após passar mais de 100 horas preso sob os escombros. A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, informou que a operação de resgate durou 43 horas. O número oficial de mortos subiu para 1.719, mas especialistas alertam que o total pode ser muito maior.
Número de mortos pode ultrapassar 10 mil
De acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS), a projeção preliminar indica que o total de mortos poderia ultrapassar 10 mil, considerando a magnitude dos tremores, a densidade populacional e a infraestrutura local. Ilan Kelman, professor de desastres e saúde na University College London, afirmou: “Infelizmente, veremos o número de mortos continuar a subir”. Ele destacou que a contagem final pode levar semanas e que jamais se saberá o número exato de vítimas.
Dificuldades no resgate e contagem de vítimas
Emily So, professora de engenharia arquitetônica na Universidade de Cambridge, também prevê um aumento significativo no número de vítimas. Ela cita a grande quantidade de desaparecidos, a extensão dos danos aos edifícios e o acesso dificultado às áreas mais afetadas. “Tragicamente, até que recuperem os corpos sob os escombros, a contagem continuará baixa”, disse. O trabalho de resgate tem sido lento, pois as equipes priorizam a busca por sobreviventes nos primeiros dias.
Estimativas de danos e impacto humanitário
Quase 59 mil prédios podem ter sido danificados ou destruídos, segundo estimativas. Cerca de 680 mil crianças precisam de ajuda humanitária, de acordo com o Unicef. A rodovia principal de acesso a La Guaira, o estado mais atingido, sofreu com trânsito intenso, atrasando as operações. A falta de maquinário pesado e suprimentos médicos também dificultou os esforços.
Construções precárias agravam tragédia
O professor Kelman atribuiu a gravidade da tragédia a padrões de construção precários. Segundo engenheiros estruturais, muitos edifícios desabaram por serem feitos de concreto frágil, sem o devido reforço de aço. “Nenhum edifício deveria ter desabado naqueles terremotos”, declarou, comparando com terremotos recentes em outras regiões que resultaram em menos mortes. “Dispomos de todo o conhecimento, a ciência e a engenharia necessários para construir em zonas sísmicas sem que um terremoto resulte em um desastre catastrófico”, afirmou.
Resgate por familiares e vizinhos
Mesmo em esforços bem organizados, muitos sobreviventes são resgatados por amigos, familiares e vizinhos sem treinamento, explicou a professora So. “No entanto, a extensão dos danos e o colapso total de edifícios de concreto armado pesado tornam essa tarefa difícil sem o uso de maquinário”, acrescentou. O resgate de Aaron Levi Cantillo, após mais de 100 horas, é um exemplo de perseverança e trabalho em equipe.



