Relatório japonês de 2005 recomendava reforço de 180 mil prédios na Venezuela
Relatório japonês de 2005 recomendava reforço de 180 mil prédios

Um estudo entregue pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) à Venezuela em 2005 recomendava o reforço estrutural de cerca de 180 mil edifícios na região metropolitana de Caracas, além da instalação de sistemas de alerta precoce e o reassentamento de moradores de áreas de risco. O documento, que o g1 teve acesso, foi elaborado a pedido do governo venezuelano e ganhou repercussão após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país em 24 de junho.

Impacto dos terremotos e contexto atual

Até segunda-feira (6), dados oficiais do governo venezuelano apontavam que os tremores deixaram 3,5 mil mortos, 16 mil feridos e provocaram o desabamento de 190 edifícios. Equipes de resgate ainda procuram centenas de desaparecidos. O relatório japonês, iniciado em 2002 e finalizado em 2005, avaliou os riscos sísmicos da capital e propôs 20 projetos para reduzir danos causados por terremotos e deslizamentos de terra, sendo sete considerados prioritários.

Recomendações do estudo

Entre as principais recomendações estavam: reforço estrutural de aproximadamente 180 mil edifícios vulneráveis; fortalecimento de pontes; construção de barragens para conter fluxos de lama e pedras; instalação de sistemas de alerta para a população; criação de um centro de comando para emergências; e reassentamento de comunidades em áreas de alto risco. Segundo o estudo, a implementação total das medidas custaria cerca de US$ 2,8 bilhões ao longo de 16 anos, dos quais US$ 2,6 bilhões seriam destinados ao reforço dos edifícios.

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Implementação e negligência

Não está claro quantas das medidas propostas foram efetivamente implementadas pela Venezuela. Especialistas ouvidos pela agência DW afirmam que as condições das construções contribuíram para o alto número de prédios destruídos. Muitos empreendimentos foram erguidos rapidamente durante a expansão dos programas habitacionais, com fiscalização limitada e pouca transparência. Analistas também apontam que anos de negligência no cumprimento das normas de construção e a crise econômica reduziram a capacidade técnica do país.

Simulações de impacto

O relatório simulou cenários de terremotos. Em um evento similar ao de 1967 (magnitude 6,6), a projeção era de 10 mil edifícios gravemente danificados, 602 mortos e mais de 4,3 mil feridos. Já em uma simulação baseada no terremoto de 1812 (magnitude 7,1), as estimativas subiam para mais de 32 mil edifícios danificados, 2.528 mortos e 17,6 mil feridos. Os técnicos japoneses concluíram que a adoção do programa de reforço reduziria significativamente esses impactos: no cenário de 1812, o número de edifícios gravemente danificados cairia de 32 mil para 5.260, e as mortes seriam reduzidas em quase 90%, passando de 2.528 para 274.

Técnicas de engenharia recomendadas

O estudo detalha técnicas para aumentar a resistência das construções. Para edifícios de concreto armado, recomenda instalação de paredes estruturais, reforço de colunas e vigas com chapas de aço, melhorias na fundação e adoção de sistemas de isolamento de base. Nas áreas de ocupação informal ("barrios"), sugere medidas de menor custo, como construção de vigas de fundação para estabilizar casas em encostas, reforço de paredes e obras de contenção para evitar deslizamentos. Antes de qualquer intervenção, os técnicos defendiam inspeções para identificar quais edifícios precisariam de reforço e a solução mais adequada. O documento indica que todas as obras seguiriam a legislação venezuelana implementada em 2001.

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