O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou Diego Santilli, atual ministro do Interior, como novo chefe de gabinete, em substituição a Manuel Adorni, que renunciou neste sábado (27) envolvido em um escândalo por suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. A posse de Santilli está marcada para terça-feira (30).
Adorni admite ocultação de 500 mil dólares
Em carta publicada em suas redes sociais, Adorni confirmou a saída e agradeceu ao presidente: "Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra". O ex-porta-voz, uma das figuras mais próximas de Milei, recentemente admitiu ter ocultado 500 mil dólares (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens, provenientes de investimentos em criptomoedas entre 2014 e 2018. O caso é investigado pela Justiça Federal argentina, junto com denúncias sobre compra e reforma de imóveis.
Contradições e pressão política
Adorni afirmou que as economias eram "não declaradas", mas contradisse declarações anteriores ao Congresso argentino, onde em abril disse que "nunca houve ocultação alguma". Apesar das explicações consideradas insuficientes, Milei tentou mantê-lo no cargo. Durante visita à Espanha na sexta-feira (26), o presidente afirmou que só o demitiria se a Justiça o considerasse culpado de corrupção.
Agradecimento e trajetória
Na carta, Adorni escreveu: "Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023, estou a contrariar os seus desejos. Obrigado por finalmente aceitar a minha demissão desta vez." Adorni, de 46 anos, começou como porta-voz presidencial em 2023 e assumiu a chefia de Gabinete em novembro passado.



