Europeus silenciam sobre imigração nos EUA quatro anos após protestos no Catar
Europeus silenciam sobre imigração nos EUA após protestos no Catar

Quatro anos após liderarem protestos contra violações de direitos humanos na Copa do Mundo do Catar, seleções europeias como Alemanha, Inglaterra e Dinamarca permanecem em silêncio diante de problemas políticos e migratórios nos Estados Unidos. A postura, classificada por críticos como “indignação seletiva”, gerou debates sobre a coerência das manifestações no cenário esportivo internacional.

Protestos no Catar em 2022

Durante a Copa do Mundo de 2022, jogadores da Alemanha posaram para uma foto antes da partida contra o Japão com as mãos na boca, em protesto contra a proibição do uso da braçadeira “OneLove” pela FIFA. A Inglaterra e a Dinamarca também planejavam usar o acessório, que simboliza apoio à diversidade e aos direitos LGBTQIA+. Na época, as seleções europeias criticaram duramente as condições de trabalhadores migrantes e as leis anti-LGBTQIA+ no Catar.

Silêncio diante de políticas migratórias dos EUA

Agora, sob a gestão do presidente Donald Trump, os Estados Unidos implementaram uma política de deportação que já afetou cerca de 500 mil pessoas, segundo dados oficiais. Além disso, relatos de violações de direitos humanos em centros de detenção e a separação de famílias na fronteira sul têm sido denunciados por organizações internacionais. Apesar disso, nenhuma das seleções que protestaram no Catar emitiu declarações públicas ou planeja atos similares durante a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por EUA, Canadá e México.

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Críticas à “indignação seletiva”

“É hipócrita que os mesmos jogadores que se calaram sobre os direitos humanos no Catar agora ignorem o que acontece nos EUA”, afirmou um porta-voz de uma ONG de direitos humanos, que preferiu não se identificar. O Irã e o Egito, por outro lado, manifestaram-se criticando a política migratória americana. O movimento “OneLove”, que ganhou força em 2022, perdeu visibilidade e não tem previsão de ser retomado na próxima Copa.

Impacto no esporte e na política

Analistas apontam que o silêncio europeu pode estar relacionado a interesses comerciais e diplomáticos com os Estados Unidos. “As seleções europeias têm patrocinadores e parcerias que dependem do mercado americano. Protestar contra os EUA teria um custo financeiro muito maior do que contra o Catar”, explicou um especialista em relações esportivas internacionais. Enquanto isso, ativistas cobram coerência e pressionam por uma postura unificada em defesa dos direitos humanos, independentemente do país anfitrião.

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