O governo dos Estados Unidos declarou nesta quinta-feira que as negociações com o Irã sobre o programa nuclear iraniano continuam, apesar dos recentes ataques a navios no Golfo de Omã, que Washington atribui a Teerã. O porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller, afirmou que os canais de diálogo permanecem abertos e que as discussões indiretas, mediadas por Omã, não foram interrompidas.
Contexto dos ataques
Na segunda-feira, dois petroleiros foram alvo de explosões no Golfo de Omã, em um incidente que os EUA classificaram como 'ataques iranianos'. O Irã nega qualquer envolvimento. Apesar da escalada de tensões, Miller disse que as negociações nucleares são 'muito importantes' e que ambas as partes demonstraram interesse em chegar a um acordo.
As conversas, que ocorrem de forma indireta há meses, visam retornar ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), de 2015, que limitou o enriquecimento de urânio iraniano em troca de alívio de sanções. Os EUA saíram do acordo em 2018, sob o governo Trump, e desde então o Irã acelerou seu programa nuclear.
Posição dos EUA
Miller enfatizou que os EUA estão comprometidos com a via diplomática, mas que a pressão sobre o Irã continuará. 'Não vamos confundir os ataques com a necessidade de negociar. A diplomacia é o melhor caminho, mas isso não significa que ignoraremos ações hostis', disse o porta-voz.
Ele também mencionou que os EUA estão coordenando com aliados na região e na Europa para garantir a segurança da navegação. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, próximo ao local dos ataques.
Reação do Irã
O governo iraniano, por sua vez, reiterou que as negociações estão em andamento, mas condicionou qualquer avanço à retirada total das sanções impostas pelos EUA. O ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, afirmou que o Irã não aceitará 'negociações sob pressão'.
Analistas apontam que os ataques podem ser uma tentativa de grupos alinhados ao Irã de sabotar as conversas, mas que Teerã tem interesse em um acordo para aliviar a crise econômica. O petróleo iraniano, sancionado, tem sido exportado de forma discreta para a China, mas a volta ao mercado formal seria um grande impulso.
Impacto no mercado
O preço do petróleo subiu 3% após os ataques, com o barril do Brent ultrapassando os US$ 80. O mercado teme uma interrupção no fornecimento, mas a Agência Internacional de Energia afirmou que há reservas suficientes para cobrir eventuais lacunas.
A continuidade das negociações é vista como um sinal de que ambas as partes preferem a diplomacia a um conflito aberto. No entanto, a desconfiança mútua permanece alta, e qualquer recuo pode levar a uma escalada militar na região.



