Empresário capixaba preso na Bolívia há 40 dias por protestos
Empresário capixaba preso na Bolívia há 40 dias

Um empresário e desenvolvedor de softwares de Vila Velha, na Grande Vitória, Espírito Santo, está há mais de 40 dias sem conseguir deixar a Bolívia. Ele viajava de carro pela América Latina com a namorada quando foi surpreendido por uma onda de protestos que bloqueia estradas e impede o abastecimento de combustíveis no país.

Protestos na Bolívia

Os bolivianos protestam desde o início de maio contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o poder há seis meses. As principais reivindicações incluem mudanças na política agrária e melhoria na qualidade do combustível. A polícia tem usado bombas e gás, aumentando a tensão.

Viagem interrompida

Rafael Darrouy, de 40 anos, e a namorada (que prefere não ser identificada) tiveram que interromper a viagem que começou em novembro de 2025 e se hospedar em Sucre, capital constitucional da Bolívia. Além disso, Rafael não pôde enterrar o próprio pai, Marcelo Enrique Darrouy Manieu, que morreu no dia 9 de junho após um infarto. "Entramos na Bolívia em 26 de março e a ideia era ficar 30 ou 40 dias para descansar, depois seguir para a Amazônia Boliviana, La Paz, Peru. Mas em 1º de maio começaram os protestos", contou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Dificuldades enfrentadas

O casal saiu do Sul do Brasil, passou por Ushuaia (Patagônia Argentina) e Chile, com destino ao Caribe. Agora, estão impedidos de circular por falta de combustível e bloqueios terrestres. "Sucre está cercada. Nas últimas três semanas, a situação se intensificou", afirmou Rafael. Além disso, os vistos de turistas e a permissão para o carro vencem em 24 de junho, aumentando a preocupação.

Sem despedida do pai

Em 1º de junho, Rafael soube que o pai havia sido internado. "Tentei sair, mas é arriscado, não tem combustível. As informações eram de que brasileiros já tinham sido feridos em bloqueios. Acompanhei à distância, achei que ele melhoraria, mas ele faleceu repentinamente." Atualmente, há pelo menos 70 bloqueios rodoviários na Bolívia, segundo a Administradora Boliviana de Rodovias.

Problemas com documentos

Rafael procurou o departamento de imigração em Sucre na quinta-feira (11), mas não encontrou solução. "Há confusão generalizada. Disseram que não há previsão legal para essa situação e que serei multado se não sair." Ele então buscou a Embaixada Brasileira, que emitiu uma carta solicitando extensão dos vistos e da permissão do carro. "Pretendo voltar à imigração na segunda (15). Temos medo de perder o carro por importação ilegal." Autoridades brasileiras e a dona do imóvel onde está hospedado orientam o casal a permanecer e resolver a situação juridicamente.

Dia a dia em Sucre

Além da falta de gasolina, a coleta de lixo foi paralisada. "Temos que andar quadras para jogar o lixo, porque não há diesel." Porém, a cidade produz o que consome, baseada em agricultura familiar, então não há desabastecimento de alimentos. "Se houvesse latifúndios e agricultura industrial, faltaria comida." Apesar do clima tenso, os bolivianos saem às ruas normalmente. Rafael observa: "Ontem e anteontem, a cidade parecia normal, pessoas nas praças."

Visão política

Rafael acredita que potências como EUA e Europa são responsáveis por desestabilizar a América Latina. "Os países latino-americanos devem resolver seus problemas internamente, com autonomia e soberania. O que sofro aqui é reflexo de uma desestabilização histórica. Como brasileiro, sou solidário à situação da Bolívia."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar