O clima de apreensão domina o Peru neste domingo, 8 de junho de 2026, enquanto a apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais segue sem um desfecho definitivo. Com mais de 90% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, lidera com uma margem extremamente estreita: 50,4% dos votos válidos, contra 49,6% de seu adversário, Roberto Sanchez, da coligação Juntos por el Peru.
As pesquisas de boca de urna e as contagens rápidas realizadas ao longo do dia não conseguiram apontar um vencedor claro, refletindo a profunda divisão política que caracteriza o país andino. A diferença inferior a um ponto percentual mantém em aberto a possibilidade de virada, especialmente porque ainda faltam ser contabilizados os votos de regiões rurais e de difícil acesso, onde Sanchez tem demonstrado maior força eleitoral.
Resultados apertados e cautela dos candidatos
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, e Roberto Sanchez, economista de centro-esquerda, evitaram declarar vitória antes da conclusão da apuração. Em pronunciamentos breves, ambos pediram calma e respeito ao processo democrático. A candidata do Fuerza Popular afirmou que "a cidadania peruana está exercendo seu direito de voto com tranquilidade" e que "aguardaremos o resultado final com responsabilidade". Já Sanchez declarou que "cada voto será contado" e que "a vontade do povo será respeitada".
A disputa acirrada reflete a polarização que tomou conta do Peru nos últimos anos, marcada por escândalos de corrupção, instabilidade política e econômica. Keiko Fujimori, que já disputou a presidência em outras ocasiões, busca consolidar o legado do pai, enquanto Sanchez representa uma alternativa de renovação e mudança.
O que está em jogo
O novo presidente enfrentará desafios monumentais, incluindo a recuperação econômica pós-pandemia, o combate à corrupção endêmica e a redução das desigualdades sociais. A eleição também é vista como um teste para a democracia peruana, que já passou por crises institucionais e tentativas de golpe nos últimos anos.
A apuração prossegue em ritmo lento devido à dispersão geográfica e à logística complexa de transporte de urnas. A expectativa é que o resultado final seja conhecido nas próximas horas ou dias, dependendo da agilidade dos órgãos eleitorais. Enquanto isso, o país permanece em suspense, aguardando a definição de quem comandará os destinos do Peru pelos próximos cinco anos.



