O comitê da Federação Internacional de Futebol (Fifa) responsável por suspender a punição imposta aos Estados Unidos concentra seu poder decisório em uma única pessoa, segundo revelou uma análise interna da entidade. A estrutura do comitê, criado para lidar com questões de governança e ética, tem sido alvo de críticas por falta de transparência e concentração de autoridade.
Decisão sobre os EUA
Em junho de 2026, o comitê decidiu suspender a punição que havia sido aplicada aos Estados Unidos por violações nas regras de transferência de jogadores. A punição original incluía restrições ao registro de novos atletas e multas financeiras. A suspensão foi justificada por "compromissos assumidos pela federação americana para corrigir as irregularidades".
No entanto, a decisão foi tomada por um comitê cujo presidente detém poderes para aprovar ou rejeitar recomendações sem necessidade de votação colegiada. Documentos internos obtidos mostram que o presidente do comitê pode, sozinho, decidir sobre a suspensão de sanções, o que levanta questionamentos sobre a imparcialidade do processo.
Estrutura de poder
O comitê em questão é composto por cinco membros, mas as regras internas permitem que o presidente tome decisões unilaterais em casos considerados "urgentes" ou "de baixo risco". Críticos apontam que essa concentração de poder contraria os princípios de boa governança que a Fifa diz defender.
"A concentração de poder em uma única pessoa no comitê é preocupante e pode abrir espaço para influências externas", afirmou um especialista em governança esportiva, que preferiu não se identificar. "A Fifa precisa garantir que suas decisões sejam colegiadas e transparentes."
Reações e implicações
A revelação gerou reações de federações nacionais e organizações de transparência. A própria federação americana, beneficiada pela decisão, evitou comentar o assunto. Já a Fifa defendeu a estrutura do comitê, afirmando que "as regras estão em conformidade com os estatutos da entidade e visam agilizar processos".
Especialistas em direito esportivo alertam que a concentração de poder pode levar a decisões arbitrárias. "Se uma única pessoa pode suspender punições sem consultar os demais membros, o risco de favorecimento é real", disse um advogado especializado em governança. "Isso mina a credibilidade das sanções da Fifa."
Contexto mais amplo
A Fifa tem implementado reformas de governança desde os escândalos de corrupção de 2015, mas críticos argumentam que ainda há lacunas. A existência de comitês com poderes concentrados é vista como um desses pontos frágeis. A entidade afirma que revisará as regras do comitê para garantir maior equilíbrio, mas não deu prazo.
Enquanto isso, a suspensão da punição aos EUA permanece em vigor, permitindo que a federação americana continue operando normalmente. A decisão impacta diretamente clubes e jogadores, que aguardam maior clareza sobre o futuro das regras de transferência.



