Quem acompanhar a partida entre RD Congo e Portugal, nesta quarta-feira (17), pela Copa do Mundo 2026, vai se deparar com Michel Kuka Mboladinga. Vestido com as cores da bandeira do país, imóvel durante toda a partida e com o braço erguido, o torcedor tornou-se um dos principais símbolos da seleção congolesa ao homenagear um herói nacional morto há mais de seis décadas.
A pose que homenageia Patrice Lumumba
A pose reproduz a imagem de Patrice Lumumba, líder da independência da República Democrática do Congo e considerado um dos principais símbolos da luta anticolonial na África. Mboladinga ficou famoso durante a Copa Africana de Nações de 2025, quando permanecia imóvel por 90 minutos nas arquibancadas, reproduzindo a postura da estátua erguida em homenagem ao ex-primeiro-ministro em Kinshasa, capital do país. A homenagem viralizou, chamando a atenção dos torcedores, da mídia e da seleção congolesa, que convocou o torcedor para fazer parte da delegação oficial do país.
Quem foi Patrice Lumumba?
Considerado um herói nacional, Patrice Emery Lumumba foi o principal líder do movimento que levou a República Democrática do Congo à independência da Bélgica em 1960. Antes disso, o território viveu um dos períodos coloniais mais violentos da história moderna. Inicialmente controlado pelo rei Leopoldo II da Bélgica, o chamado Estado Livre do Congo foi palco de um regime marcado por trabalho forçado, mutilações, massacres e exploração da população local para extração de recursos naturais. Historiadores estimam que até 10 milhões de congoleses morreram entre o fim do século XIX e o início do século XX.
Foi nesse contexto que surgiu Lumumba. Defensor da unidade nacional e da autodeterminação dos povos africanos, ele fundou o Movimento Nacional Congolês (MNC) e tornou-se a principal voz da independência do país. Em junho de 1960, quando o Congo conquistou sua independência, Lumumba assumiu o cargo de primeiro-ministro. Seu governo, porém, durou poucos meses. Em meio à Guerra Fria, o líder passou a ser visto com desconfiança por potências ocidentais. Ele foi deposto em um golpe liderado pelo então coronel Joseph Mobutu, que posteriormente governaria o país como ditador por mais de três décadas.
Preso por seus adversários, Lumumba foi executado em 17 de janeiro de 1961. Investigações realizadas décadas depois apontaram o envolvimento de autoridades belgas e da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) na conspiração que levou à sua morte. Após o assassinato, seu corpo foi dissolvido em ácido para impedir que o túmulo se transformasse em local de peregrinação política. Restou apenas uma coroa dentária de ouro, devolvida à família de Lumumba pela Bélgica apenas em 2022, mais de 60 anos após sua morte. A morte transformou o ex-primeiro-ministro em mártir da independência congolesa e em símbolo da luta contra o colonialismo em toda a África. Agora, na Copa do Mundo de 2026, a imagem do líder reaparece para acompanhar a seleção da RD Congo em sua segunda participação na história.



