RD Congo ultrapassa 800 casos de ebola e 200 mortes
RD Congo ultrapassa 800 casos de ebola e 200 mortes

A República Democrática do Congo ultrapassou a marca de 800 casos confirmados de ebola, com quase 200 mortes registradas pela doença. A epidemia obrigou a seleção de futebol do país, que retorna à Copa do Mundo após 52 anos, a adotar uma preparação especial. Os torcedores serão raros na estreia da equipe contra Portugal, em Houston, nesta quarta-feira.

Surto histórico e alerta internacional

O surto declarado pela RD Congo em 15 de maio já é o 17º enfrentado pelo país contra o vírus ebola. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou alerta sanitário internacional. Os Estados Unidos passaram a negar vistos para viajantes originários do país, embora a entrada em território americano não esteja oficialmente proibida. O Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) dificultaram a entrada de viajantes da RD Congo, Uganda e Sudão do Sul.

Passageiros com origem nesses países terão seus voos redirecionados para quatro aeroportos internacionais. O CDC notifica os departamentos de saúde estaduais ou locais sobre a chegada do viajante, que devem estabelecer contato em até 24 horas para uma avaliação inicial.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na seleção congolesa

O técnico Sébastien Desabre expressou decepção com a impossibilidade de muitos torcedores acompanharem a equipe: “Nós ficamos muito decepcionados, para ser honesto, em saber que alguns torcedores, que estão conosco desde o primeiro dia, sempre estiveram conosco… ficamos tristes em saber que não puderam viajar, vir ao país para assistir às partidas, mas vamos iniciar da maneira correta.” A situação transforma a Copa em um “jogo fora de casa” para a seleção, com arquibancadas ocupadas principalmente por imigrantes congoleses na América do Norte. Estima-se que 25 mil pessoas da comunidade democrática-congolesa vivam entre Houston e Dallas, no Texas.

Desabre agradeceu a recepção local: “Fomos muito bem recebidos aqui pelo povo local na nossa concentração. Nos deram a melhor condição possível.”

Epidemia longe do fim

A Cruz Vermelha avalia que a epidemia ainda não atingiu o pico no país. “Tememos que dure ainda um ano antes de chegar ao fim”, disse o chefe de operações Bruno Michon. A dificuldade de diagnosticar casos causa subnotificação e facilita o contágio. “É muito difícil saber exatamente até que ponto está se propagando a epidemia”, afirmou Michon.

Por exigência das autoridades americanas, a delegação passou por um isolamento de 21 dias. Por isso, a preparação ocorreu na Bélgica antes da chegada à América do Norte. O time minimiza o impacto: “A preparação foi muito boa. Não nos afetou em nada. Nós nos preparamos muito bem na Europa. Tudo estava perfeito”, contou o zagueiro Samuel Moutoussamy, que atua no futebol grego.

A força da equipe está na defesa, com destaques como os laterais Aaron Wan-Bissaka (West Ham) e Arthur Masuaku (Lens), e o zagueiro Chancel Mbemba (Lille). “Voltar 52 anos depois é um verdadeiro orgulho e um prazer poder representar a RD Congo. Nos preparamos bem. Agora queremos ir bem no Mundial”, concluiu Desabre, que comanda a seleção desde 2022.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar