As letras ornamentadas que há cerca de um século identificam embarcações nos rios da Amazônia ganharam, em 2025, um importante reconhecimento: o ofício dos abridores e abridoras de letras e as tradicionais letras de barco passaram a integrar oficialmente o patrimônio cultural imaterial do Pará. Para celebrar esse marco e aproximar o público desse saber tradicional, o Instituto Letras que Flutuam realiza, no dia 2 de agosto, uma programação gratuita no Canto do Letras, em Belém.
Programação gratuita e oficinas com mestres
Das 9h às 13h, os visitantes poderão participar de oficinas de abertura de letras conduzidas por mestres associados ao Instituto Letras que Flutuam, conhecer o acervo da instituição e adquirir peças produzidas pelos próprios artistas, como as tradicionais placas decorativas inspiradas nas embarcações amazônicas, além de livros, camisetas, ecobags e letras em miriti. As oficinas são gratuitas, têm vagas limitadas e as inscrições já estão abertas, de forma online.
O instituto e sua pesquisa de duas décadas
Resultado de mais de duas décadas de pesquisa da pesquisadora Fernanda Martins, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura dos abridores de letras. Desde 2004, o projeto já identificou mais de 130 mestres em municípios paraenses e atua na documentação, valorização e salvaguarda desse patrimônio, promovendo ações de formação, geração de renda e proteção dos saberes tradicionais. Para a diretora do instituto, Fernanda Martins, ampliar o contato entre a população e os abridores de letras é fundamental para fortalecer uma manifestação cultural que, por muito tempo, permaneceu invisibilizada.
“Espaços como o Canto do Letras deveriam existir em profusão numa cidade como Belém, porque existem muitos saberes ribeirinhos invisibilizados que precisam de oportunidade para demonstrar sua produção, comercializar seus produtos e ampliar a difusão desses conhecimentos”, afirma Fernanda Martins.
Uma tradição visual única
Além de aprender os primeiros traços da abertura de letras, o público poderá conhecer a trajetória dos artistas responsáveis por transformar uma necessidade prática de identificação das embarcações em uma linguagem visual única, hoje reconhecida como um dos símbolos da identidade cultural paraense. As letras ornamentadas, que surgiram da necessidade de identificar barcos e navios na vasta rede fluvial da Amazônia, evoluíram para uma forma de arte que combina caligrafia, design e técnicas manuais transmitidas entre gerações.
Detalhes do evento
- Data: 2 de agosto (sábado)
- Horário: 9h às 13h
- Local: Canto do Letras – Travessa Rui Barbosa, 257, Sala 3, Reduto, Belém
- Programação: 9h: abertura do espaço, visita ao acervo e venda de produtos do Instituto Letras que Flutuam e de peças produzidas pelos Abridores de Letras; 10h: primeira oficina de abertura de letras (50 minutos); 11h30: segunda oficina de abertura de letras (50 minutos)
- Inscrições: gratuitas, online e com vagas limitadas.
O evento representa uma oportunidade única para o público conhecer de perto um ofício que, por muito tempo, permaneceu restrito às comunidades ribeirinhas. Com o reconhecimento como patrimônio imaterial, espera-se que mais iniciativas como esta surjam para valorizar e preservar essa expressão cultural tão característica do Pará.



