Crime organizado: classificação dos EUA gera tensão
O Brasil vive um momento de preocupação diante do aumento das tensões entre Brasília e Washington em torno do combate ao crime organizado. A discussão ganhou força após medidas adotadas pelos Estados Unidos contra facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), organizações que há décadas atuam no narcotráfico e em outras atividades criminosas. O principal problema é a divergência de entendimento entre os dois governos. Enquanto os Estados Unidos (EUA) defendem medidas mais duras e o enquadramento dessas facções como organizações terroristas, o Brasil sustenta que essa classificação não encontra amparo em sua legislação. Em vez de trocas de acusações, o mais sensato seria ampliar o diálogo e a cooperação. Nesse cenário, o governo brasileiro precisa agir com rapidez, reunindo órgãos de segurança, diplomatas, importadores e exportadores para construir uma saída pacífica e econômica. O objetivo deve ser evitar que interesses políticos, disputas eleitorais ou vaidades pessoais agravem uma crise capaz de afetar a economia, os investimentos e a imagem do País. Mais do que discursos inflamados, o momento exige equilíbrio, responsabilidade e diplomacia. O Brasil deve fortalecer o combate ao crime organizado, preservar sua soberania e manter relações construtivas com os EUA, buscando soluções que garantam segurança, estabilidade e desenvolvimento com prudência.
Eleições 2026: engajamento nas redes
As estripulias do pré-candidato a inquilino do Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro estão perdendo de goleada para o omisso presidente Lula da Silva. É só verificar nas redes sociais o desprazer que conseguiu angariar, ficando mais por baixo do que umbigo de cobra. Os brasileiros, revoltados, abriram fogo contra as dúvidas e pedidos que fez ao seu “guia espiritual” Donald Trump e deu no que deu. Está rotulado como mais um traidor da Pátria, pior ainda do que seu irmão Eduardo. Na verdade, a dupla indica querer que Trump interfira no sistema financeiro do País, onde mais de 170 milhões de brasileiros usam o Pix. O ruído é tão alto e parece bem maior do que o vazamento da conversa com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Calendário eleitoral: PEC da escala 6x1
A PEC que estabelece o fim da escala 6x1 ganhou força em pleno ano eleitoral. Em tempos normais, uma mudança com impacto sobre empresas, empregos e crescimento econômico exigiria estudos e amplo debate. O mais curioso, porém, foi ver a oposição embarcar na proposta que dizia combater. Temendo o desgaste nas urnas, preferiu acompanhar a corrente a defender as próprias convicções. Defender convicções exige coragem; seguir a multidão exige apenas instinto de sobrevivência. Depois, vieram as explicações e propostas alternativas. Tarde demais. O eleitor atento sabe distinguir quem vota por convicção e quem vota pressionado pelo calendário eleitoral.
Copa do Mundo: desencantamento
Estamos às vésperas de mais uma Copa do Mundo, mas já não se percebe o mesmo entusiasmo que cercava a seleção brasileira em torneios passados, especialmente nos mundiais de 1970, 1982 ou 1994. Algo parece ter mudado. No passado, até mesmo os amistosos eram capazes de mobilizar o País. O comércio fechava mais cedo, empresas liberavam funcionários e músicas como A Taça do Mundo é Nossa, Pra Frente, Brasil e Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor transformavam-se em verdadeiros hinos nacionais. Hoje, segundo pesquisa Datafolha, mais da metade dos brasileiros afirma ter pouco ou nenhum interesse pela Copa do Mundo. O desencantamento tem múltiplas causas. Parte dele decorre da falta de identificação com uma seleção formada por atletas que passam a maior parte da carreira no exterior. Outra parte pode estar relacionada ao momento vivido pelo País. Dificuldade econômica, endividamento das famílias, sucessivos escândalos de corrupção e problemas persistentes nas áreas de educação e segurança pública acabam ocupando o espaço antes reservado ao entusiasmo esportivo. Quando faltam esperança no presente e confiança no futuro, até mesmo o maior espetáculo esportivo do planeta perde seu encanto.
Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores
Escala 6x1
Os pequenos empregadores brasileiros foram deixados de lado pelo Congresso e pelas promessas eleitoreiras do presidente Lula da Silva, com a iminente derrubada da escala 6x1. A jornada dos empresários é na escala 7x0. Diariamente, são atormentados por mudanças fiscais e tributárias, além da indefinição e das dúvidas sobre a reforma da legislação trabalhista. Todos os dias aparecem associações e conselhos exigindo regularizações que só eles próprios entendem. Os juros estratosféricos dificultam o crescimento empresarial e, potencializados pelos devedores contumazes, resultam na perda de mercado. Golpes por telefone e pela internet, insegurança total e corrupção instalada não deixam os empregadores dormirem sossegados. Muitos empresários têm saudades da CLT, que contempla vale-transporte e refeição, férias com um terço de acréscimo, 13.º salário, FGTS, dentre outras benesses. Mesmo assim, empregados e colaboradores insistem em mais direitos, sem, contudo, se especializar em suas profissões. Agora, agraciados com a nova escala 5x2, impõem aos empresários danos à saúde mental, emocional, física, pessoal e familiar. Não há dúvidas de que o trabalho por hora é a melhor opção para as partes. Outra ótima alternativa é a escala 12x36, em que se trabalha um dia e se folga no outro, conseguindo descansar 15 dias por mês. É a saída para que os empregadores sacrificados consigam enfrentar as promessas eleitoreiras.
Tema relevante
Gostaria de manifestar minha opinião sobre os R$ 80 milhões gastos em propagandas a respeito do fim da escala 6x1. Embora o uso de recursos públicos deva sempre ser acompanhado com rigor e transparência, não se pode ignorar a relevância do tema para milhões de trabalhadores brasileiros. A escala 6x1 limita o tempo de descanso, o convívio familiar e as oportunidades de lazer e qualificação profissional. Por isso, considero legítimo que a sociedade seja informada e estimulada a discutir possíveis mudanças nas relações de trabalho. Direitos trabalhistas não avançam sem debate público e participação social. Assim, mais importante do que o valor investido na divulgação é refletir sobre as condições enfrentadas por quem trabalha seis dias seguidos para ter apenas um dia de descanso. Logo, o trabalhador brasileiro merece que essa discussão seja levada a sério.
Experiência e disposição
O fim da escala 6x1 é inevitável. Para tanto, as empresas precisam se preparar. Uma alternativa é o sistema de trabalho intermitente. Deve haver muitos interessados em escalas 2x5 entre os trabalhadores mais experientes. Muita experiência e disposição são atributos desse grupo.
Novo tarifaço
Outra vez, Donald Trump está usando o remédio errado – outro tarifaço – para solucionar um problema mundial: o trabalho forçado. O problema trabalhista existe há muito tempo e deveria ter sido resolvido por meio de negociação entre os países produtores e os importadores. Certamente, não será solucionado com a imposição de mais tarifas. O verdadeiro motivo do “protecionista” Trump é trazer de volta aos EUA algumas fábricas de firmas americanas que estão operando no exterior. O interessante é que a sobretaxa vai atingir aliados dos EUA, entre os quais Israel e países do Golfo. Acertou Henry Kissinger ao afirmar que “ser inimigo dos Estados Unidos é perigoso, mas ser amigo é fatal”.
Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente dos EUA e, logo em sequência, o Brasil está sendo novamente atacado pelos americanos. Nunca antes na História uma pessoa causou tantos prejuízos ao Brasil como Flávio Bolsonaro. É inacreditável que Flávio Bolsonaro pleiteie a Presidência da República com essa índole entreguista, traidor da pátria. As instituições brasileiras devem se agigantar e banir esse cidadão da vida pública antes que ele cause novos e irreparáveis prejuízos à nação brasileira.
Política externa
Sem ter solução para a principal demanda da população, a segurança, e com curva descendente nas pesquisas, Flávio foi aos EUA buscar, na interferência de uma potência estrangeira, a solução de problemas que não tem nem ideia de como resolver. Certamente magoado pela preferência de Trump pelo Canadá e sem nenhum projeto nacional de combate à criminalidade, só faltou pedir anexação territorial.
Terrorismo
Minha funcionária me perguntou o que era terrorismo. Tentei explicar e, no final, ela deu a sua definição: “Doutor, terrorismo, para mim, é uma terra em que você vive o horror todos os dias. Lá na minha comunidade tem terrorismo”. Eu tive de concordar com a definição dela.
Organizações terroristas
O eleitor não quer saber se PCC e Comando Vermelho serão classificados como organizações terroristas. Ele quer que a violência seja combatida e diminuída. Ele não quer saber se autarquias, serviços, órgãos públicos ou infraestrutura viária são estatizados, privatizados ou concedidos. Ele quer que funcionem. Ele não quer que a polícia mate qualquer um na rua nem que os bandidos amedrontem a população e dominem territórios; ele quer segurança para ir e vir e, sobretudo, justiça. Será que os políticos não entendem que essa briga de esquerda e direita não resolve nada? O eleitor quer projeto para o País, e não para o mandato.
Aborto legal
Em votação relâmpago, Senado aprova decreto que dificulta aborto legal (Estadão, 2/6, A14). Vocês não têm vergonha? A PEC da escala 6x1 tem de ser exaustivamente discutida, enquanto essa proposta sobre o aborto é aprovada no escurinho do cinema. Quero ver algum senador ter a coragem de vir a público explicar seu voto. Quem cala consente. O que mais podemos esperar do Congresso Nacional? Quando dizem que o Congresso é inimigo do povo, todos têm razão.
Violência contra crianças
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é vil. Somente isso explica condenar uma criança estuprada a ser mãe e continuar o convívio com quem a violentou, uma vez que é em casa que acontecem os principais casos de abuso (Em votação relâmpago, Senado aprova decreto que dificulta aborto legal, Estadão, 3/6, A14). Se estava equivocada a decisão do Conanda, que o órgão fosse previamente notificado a proceder às correções, e não a fazer valer a política da pedofilia, que é o resultado do decreto legislativo aprovado. À vilania de Damares seguem todos os demais senadores que sequer solicitaram discutir a questão no Plenário. Pelo rito adotado, cabe somente ao Supremo Tribunal Federal impedir tal violência infantil.
Caso Adalberto
Caso Adalberto: um ano depois, morte de empresário no autódromo de Interlagos ainda é mistério (Estadão, 29/5). Um ano após a morte em Interlagos, o caso segue envolto em mistério. Restam perguntas e faltam respostas. Por que as investigações não evoluem? Por que o silêncio? A vítima não merecia esclarecimentos? Curioso observar que, em um país onde tantos se apresentam como defensores da humanidade e da justiça, a indignação parece ter prazo de validade. Os discursos permanecem; as respostas, não. E assim mais um mistério vai sendo empurrado para o arquivo das conveniências nacionais.
Jorge Messias
Lula insiste em mandar a indicação de Jorge Messias novamente, e espero que o Congresso o rejeite outra vez. Como diz Lula, ele tem a prerrogativa de indicar. Será que esquece que o Congresso tem a prerrogativa de vetar? Não precisamos de outro ministro “terrivelmente evangélico”, e sim de uma mulher, de preferência negra. Precisamos ser representadas.
Marjane Satrapi
A morte por tristeza de Marjane Satrapi mobiliza discussões importantes. A tristeza não mata, ela vai matando. A adaptação que a pessoa enlutada passa para superar a ausência do amado é uma jornada do herói. Ela necessita de mudança, de substituição por outra alternativa, não necessariamente de outro amado, mas sim de um resgate de propósito. A decepção, que gera tristeza imediatamente, pode explodir o coração em um infarto, por que não um cérebro que acostumou-se ser dependente de alguma forma ao outro? Esta insuportável morte lenta não é voluntária ou auto-induzida, ela é, muitas vezes, a única alternativa para acabar com o sofrimento.
Amor por dinheiro
A filosofia de vida das pessoas, no mundo atual, é ganhar dinheiro, guardar ou gastar o dinheiro unicamente no interesse pessoal e viver voltadas para si. Os outros que se danem. Altruísmo e bondade são palavras bonitas, a serem praticadas apenas pelos ingênuos do mundo.
Neymar Jr.
Como torcedor santista, tenho o craque Neymar em alta conta como um dos grandes do futebol mundial, a quem o peixe deve muitas vitórias, grandes exibições e gols inesquecíveis. No entanto, às vésperas da estreia da seleção na Copa do Mundo, deve ser lembrado que ele participou das últimas três Copas em que o Brasil foi desclassificado antes das sonhadas finalíssimas, quase sempre lesionado e fora de campo. A sua polêmica convocação pelo técnico Carlo Ancelotti, mesmo sabendo de sua lesão relativamente grave na perna direita, é prova da descabida e improdutiva neymardependência, vez que o badalado técnico italiano declarou que o jogador está no grupo mesmo assim. Tudo indica que, mesmo que estivesse com a perna quebrada, estaria no elenco da canarinho. Causa espécie que a única seleção pentacampeã mundial, de ídolos do quilate de Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Jairzinho, entre outros fora de série, confirme um jogador lesionado entre os 26 convocados, sabendo, de antemão, que poderá desfalcar o time a qualquer momento, na primeira arrancada ou numa falta violenta do time adversário. Cabe dizer que Neymar é destro e chuta justamente com a perna contundida.



