Ataque com drone deixa 35 mortos dentro de tribunal no Sudão
Ataque com drone deixa 35 mortos dentro de tribunal no Sudão

No dia 3 de agosto, um ataque com drone atingiu o Tribunal de Primeira Instância de Omdurman, no Sudão, matando 35 pessoas e ferindo ao menos 42. O balanço foi divulgado pelo Ministério da Saúde sudanês e confirmado por médicos e equipes de resgate que trabalharam no local. O tribunal fica na margem oeste do Nilo, na região metropolitana de Cartum, sob controle do Exército sudanês.

Corpos retirados entre escombros

De acordo com uma autoridade judicial que acompanhou as buscas, o drone atingiu a área onde funcionam as salas de audiências, no momento em que advogados, partes de processos e serventuários se preparavam para o início dos trabalhos. "Havia mulheres e crianças entre as vítimas. Pela tarde, ainda retirávamos corpos dos corredores", relatou a fonte à agência local Sudania. O balanço preliminar aponta pelo menos 35 mortos, mas a Defesa Civil ressalta que o número é provisório e pode subir porque há desaparecidos.

Imagens de vídeo propagadas nas redes sociais, ainda não verificadas, mostram dezenas de pessoas correndo em meio à fumaça e militares improvisando macas com cobertores. A ONU, por meio do escritório de direitos humanos, manifestou "horror" e pediu a realização de uma investigação independente "imediata, transparente e imparcial".

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Ataque com drones marca escalada do conflito

O atentado ocorre em meio à guerra entre o Exército sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), comandadas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo. A região de Omdurman, embora sob controle do Exército, tem sido alvo frequente de bombardeios e de lançamento de drones por parte das forças paramilitares desde maio.

Segundo o Observatório de Crises do Sahel, este foi o ataque com maior número de vítimas em um único edifício judicial desde o início da guerra, em abril de 2023. Para o analista político Salah El-Din, sediado em Cartum, o episódio demonstra que "nenhum espaço civil está protegido" e aponta o crescente uso de drones comerciais adaptados para fins militares como uma nova dimensão do conflito.

Reação das autoridades sudanesas

O Conselho Soberano do Sudão, órgão que exerce a chefia de Estado no país, divulgou nota classificando o ataque como "crime de guerra contra o povo sudanês". A Procuradoria-Geral anunciou a abertura de inquérito e afirmou que enviará uma equipe forense a Omdurman para coletar fragmentos do drone e depoimentos de sobreviventes.

Em comunicado, o Exército acusou as RSF de executar "um ataque covarde contra cidadãos indefesos". Os paramilitares, por sua vez, não comentaram diretamente, mas em nota negaram ter como alvo civis e acusaram o Exército de orquestrar "encenações" para desviar a atenção de derrotas em combate.

Fluxo de refugiados e pressão internacional

O ataque também intensifica a pressão internacional sobre as partes beligerantes. A União Africana e a Liga Árabe pediram um cessar-fogo imediato e a proteção de civis e da infraestrutura judiciária. A representante especial da ONU no Sudão, Hanna Tetteh, classificou o ataque como "inaceitável" e lembrou que tribunais são espaços protegidos pelo direito internacional humanitário.

Enquanto isso, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) atualizou para mais de 10 milhões o número de deslocados internos no Sudão desde o início do conflito. O ataque em Omdurman pode agravar ainda mais o êxodo, já que muitas famílias que viviam próximas ao tribunal perderam casas com as explosões.

O que se sabe sobre o ataque

  • O drone teria atingido o tribunal por volta das 10h, no horário local.
  • Pelo menos 35 corpos foram encaminhados ao Hospital Al-Nau de Omdurman.
  • Testemunhas mencionam pelo menos três explosões, sendo a primeira dentro do salão principal.
  • Equipes médicas operaram em estado de emergência, mas faltam suprimentos.

Até a publicação desta reportagem, nenhum grupo reivindicou oficialmente o ataque. Autoridades locais pedem que moradores doem sangue e que motoristas de ambulância reforcem o transporte de feridos. A comunidade internacional espera agora uma posição clara das partes sobre a proteção de civis, enquanto o Sudão acumula mais uma página trágica de uma guerra que já dura mais de três anos.

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