Pai e filha mantêm viva tradição do motociclismo no Capital Moto Week
Pai e filha mantêm tradição no Capital Moto Week

O Capital Moto Week (CMW) atrai, a cada edição, milhares de novos visitantes. Mas há quem esteja na estrada desde a primeira hora, construindo uma relação que atravessa gerações. O cearense Francisco Timbó, de 67 anos, é um desses pioneiros: desde 2004, ele percorre 1.900 km entre Iguatu (CE) e o Distrito Federal para marcar presença no festival, que se consolidou como o maior encontro de motos da América Latina.

Na primeira edição, Timbó sequer tinha um GPS. A orientação veio do mapa de uma revista, recurso que não o impediu de chegar a Brasília e iniciar uma tradição familiar. Hoje, quem divide a estrada com ele é a filha, que completa 20 anos de habilitação neste mês de julho. A paixão pelas duas rodas, que era apenas do pai, agora é compartilhada — e o Capital Moto Week se tornou o ponto de encontro obrigatório dessa dupla.

Uma tradição construída quilômetro por quilômetro

O festival, que começou em 2004, acompanhou a evolução do motociclismo no país. O evento já mudou de endereço, ganhou novos palcos e se transformou em um fenômeno de público. Para Timbó, porém, o que mais importa é o reencontro anual com amigos e a chance de celebrar a liberdade sobre duas rodas.

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“Foi difícil segurar essa vontade que ela tinha de pilotar moto, mas logo ela entendeu a responsabilidade que é ser uma motociclista. Nesse mês de julho, ela completa 20 anos de carteira. Já viajamos por muitos lugares desse Brasilzão. Dividimos essa paixão por motos e pela estrada”, conta Timbó.

A filha não é a única herdeira dessa tradição. O casal Raphael Brasileiro, de 38 anos, e Ana Caroline Martins Vieira, por exemplo, transformou a participação no CMW em um ritual de família. Raphael é motociclista há 18 anos e frequentador assíduo do festival desde a quinta edição, em 2008. Foi ali que ele comprou a primeira motocicleta e, de brinde, entrou para o motoclube “Os Kafas”.

Do ventre à Cidade da Moto: a nova geração

Raphael e Ana se conheceram em fevereiro de 2022, em um bar de Brasília conhecido como ponto de encontro de motociclistas e motoclubes. Ela, que estava no local com colegas de trabalho, acabou adotando o estilo de vida do companheiro. Em junho daquele ano, o casal descobriu a primeira gravidez. No mês seguinte, a pequena Manuela — ainda na barriga da mãe — já curtia o primeiro Capital Moto Week da vida.

Em 2023, a festa foi diferente: o casal levou a bebê de 5 meses nos braços. Poucos dias depois, veio a notícia da segunda gestação. Gabriela nasceu em março de 2024, em tempo de participar da edição daquele ano ao lado da irmã.

“A gente sempre leva. No ano passado, dos 10 dias, elas foram em oito. As meninas ficam com a gente até à noite, são super integradas ao movimento motociclístico, ao motoclube e ao Moto Week. É um momento muito nosso da família, entendeu? Um momento que a gente espera o ano inteiro”, diz Raphael.

A integração das crianças vai além do passeio. O acampamento montado pelo motoclube dentro do festival serve de base para as famílias passarem o dia longe de casa. Segundo o casal, todos os integrantes cooperam para o bem-estar dos menores. “As meninas foram as primeiras a ganhar a bolachinha de futura geração, em 2024. A gente brinca que elas e as outras crianças de lá são o futuro do motoclube mesmo”, conta.

Planos sobre duas rodas (e três)

Agora, o plano de Raphael e Ana é instalar um sidecar — uma carreta acoplada à lateral da moto, usada para transportar passageiros — para voltar a pegar a estrada com as filhas. A ideia é ampliar o horizonte de viagens da família, que já encontrou no CMW um espaço de convivência e de construção de memórias.

Autoconhecimento e liberdade pessoal

Marcelo Costa Moreira, de 59 anos, também frequenta o Capital Moto Week desde a primeira edição e é presidente do Kamikazes Moto Clube. Para ele, a melhor forma de manter viva a tradição do motociclismo é praticar o que mais gosta: viajar. Em 2024, por exemplo, ele cruzou sozinho Argentina, Bolívia, Peru e Chile.

“Porque quando você está, igual eu estive esse ano — eu viajei sozinho, cruzei Argentina, Bolívia, Peru e Chile —, você está ali dentro do seu capacete com você mesmo, e sua vida inteira passa ali dentro”, conta Marcelo.

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Na avaliação dele, o festival tem papel fundamental para o fortalecimento da cultura motociclística no Brasil. “Eu acho o Capital Moto Week importantíssimo para fomentar esse movimento. Tanto com relação a trazer empresas grandes, como pela frequência de pessoas que vêm de fora e se reúnem aqui. A interação é muito grande e fomenta muito esse movimento. Nós, esse ano, aqui no espaço Kamikaze, vamos receber motociclistas de praticamente o Brasil inteiro”, pontua.