Nova diretriz da Academia Brasileira de Neurologia alerta para dependência de zolpidem e orienta desmame
Nova diretriz da Academia Brasileira de Neurologia alerta para dependência de zolpidem e orienta des

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) publicou uma nova diretriz clínica sobre o uso de drogas Z, como zolpidem e zopiclona, alertando para o risco de dependência química e orientando como deve ser feito o desmame. O documento, lançado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, é o primeiro consenso brasileiro sobre abuso, dependência e manejo seguro desses medicamentos.

De acordo com a diretriz, o uso de zolpidem e zopiclona não deve ultrapassar quatro semanas, sempre com acompanhamento médico. A terapia cognitivo-comportamental (CBT-I) é considerada o tratamento de primeira escolha para insônia crônica, mostrando-se mais eficaz do que medicamentos a longo prazo.

O neurologista Alan Éckeli, professor da USP de Ribeirão Preto e um dos autores da diretriz, afirma que o objetivo não é demonizar o zolpidem, mas contextualizar seu uso. Ele ressalta que o abuso se tornou um problema de saúde pública, especialmente após a pandemia, quando a ansiedade e o isolamento aumentaram a prescrição.

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As vendas de zolpidem no Brasil mais que dobraram entre 2014 e 2021, passando de 338 mil para 810 mil caixas. A Anvisa endureceu as regras em 2024, exigindo receita digital e controle eletrônico, mas o impacto ainda é limitado.

A dependência pode causar abstinência grave, com delírio, crises epilépticas e risco de suicídio. A suspensão abrupta do medicamento pode levar a crises epilépticas, ansiedade intensa, insônia rebote e ideias suicidas. A internação é indicada em casos graves ou de múltiplas dependências.

A diretriz propõe um protocolo inédito de desprescrição, com seis pilares principais, e enfatiza a necessidade de uma "prescrição com data de saída". Mulheres adultas, profissionais da saúde e pessoas com doenças mentais prévias são os grupos mais vulneráveis ao abuso.

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