Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e instituições parceiras adaptaram um questionário clínico que, por meio de entrevistas com cuidadores ou familiares, consegue diagnosticar demência em idosos hospitalizados com 93% de acurácia. O estudo foi publicado no Journal of the American Geriatrics Society.
Atualmente, mais da metade dos idosos com demência que chegam ao hospital não recebem o diagnóstico, o que prejudica o tratamento. O novo método, que leva cerca de 15 minutos e pode ser aplicado à beira do leito ou por telefone, não exige interação com o paciente, evitando interferências de quadros agudos como delirium.
O teste avalia seis domínios afetados pelas demências: memória, orientação no tempo e no espaço, julgamento e planejamento, independência para autocuidado, para tarefas domésticas e para atividades na comunidade. O experimento foi realizado com 65 casos em cinco hospitais brasileiros.
Márlon Aliberti, professor de geriatria da FMUSP e líder do estudo, explica que o diagnóstico hospitalar é dificultado por problemas agudos como infecções ou medicamentos. A ausência de diagnóstico atinge 55% dos casos em hospitais e cerca de 80% no sistema de saúde como um todo.
O estudo integra o consórcio internacional Change, que reúne 43 hospitais públicos e privados do Brasil, além de centros de pesquisa na Colômbia, Chile, Angola e Portugal. Até o momento, 2.556 pacientes foram avaliados com a nova ferramenta.



