Queijo paraibano de mofo azul conquista ouro em concurso internacional
Queijo de cabra da PB ganha ouro em concurso

O queijo Aventureiro, produzido em São João do Cariri, no interior da Paraíba, foi premiado com a medalha de ouro na categoria Mofo Azul da ExpoQueijo Brasil 2026. O concurso internacional, realizado em Araxá, Minas Gerais, reconheceu o produto artesanal feito com leite de cabra, que se destacou entre concorrentes de vários países.

O queijo é fabricado pelo caprinocultor Renato Brito, que iniciou a atividade em 2009 com a produção de leite e passou a dedicar-se à fabricação de queijos em 2016. Na propriedade, cerca de 20 cabras de diferentes raças fornecem a matéria-prima para a linha de laticínios artesanais.

O produtor e a produção artesanal

Renato Brito começou a trabalhar com caprinos há mais de 15 anos. Inicialmente, a criação era voltada exclusivamente para o leite, mas a partir de 2016 ele expandiu os negócios para a produção de queijos. Atualmente, a pequena propriedade mantém um rebanho de aproximadamente 20 cabras, com diversidade genética entre as raças, o que contribui para a riqueza sensorial do leite utilizado.

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Além do queijo de mofo azul, a linha de produtos inclui outros tipos, como o Boursin, conservado no azeite, e versões cremosas. A produção é artesanal, com técnicas que valorizam o leite de cabra e a identidade regional do Cariri paraibano.

O queijo premiado e a maturação

O queijo Aventureiro apresenta uma condição considerada rara: o mofo azul surge de forma natural na região, sem que seja necessária a adição manual do fungo. Esse fenômeno confere ao produto características únicas de sabor e textura, o que chamou a atenção dos jurados no concurso.

O processo de fabricação do queijo premiado envolve cuidados específicos de maturação que levam cerca de 30 dias. Esse período é essencial para o desenvolvimento do mofo azul e para a formação do perfil aromático do queijo. O nome Aventureiro, inclusive, tem uma história própria: surgiu como resposta a uma provocação feita em 2024, quando um crítico afirmou que produtores paraibanos não sabiam fazer queijo de leite de cabra e eram apenas “aventureiros”.

Produção atual e planos futuros

Atualmente, a produção do queijo premiado é de cerca de 15 quilos por mês. Apesar do reconhecimento internacional e das medalhas acumuladas, o produtor afirma que ainda sonha com a liberação das autorizações sanitárias necessárias para comercializar o alimento em todo o Brasil e conseguir viver exclusivamente da produção de queijo de cabra.

A conquista na ExpoQueijo Brasil 2026 coloca o queijo paraibano em destaque no cenário nacional e internacional, reforçando o potencial da caprinocultura no Nordeste. Para Renato Brito, o prêmio é o reconhecimento de um trabalho artesanal que enfrenta desafios estruturais, especialmente no que diz respeito à regulamentação e à escala de produção.

O queijo Aventureiro representa não apenas uma vitória pessoal, mas também um marco para os pequenos produtores da região, que veem na premiação uma oportunidade de valorizar o leite de cabra e a produção de queijos finos no Brasil.

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