Atala promove campeonato de ingredientes injustiçados na cozinha
Atala promove campeonato de ingredientes injustiçados

O chef Alex Atala colocou em prática uma disputa inusitada no Instagram: um campeonato para eleger o ingrediente mais injustiçado da cozinha brasileira. Em um vídeo publicado no perfil, Atala apresentou dez ingredientes que costumam dividir opiniões — jiló, quiabo, berinjela, ervilha, coentro, salsinha, gengibre, pimenta, chuchu e uva-passa — e os colocou frente a frente em um mata-mata. A cada confronto, um ingrediente é eliminado e o outro avança para a próxima rodada.

Segundo o chef, algumas escolhas foram fáceis, enquanto outras exigiram mais reflexão. Mais do que uma brincadeira, o desafio chamou a atenção para alimentos que carregam má fama, muitas vezes por experiências ruins de preparo.

Como funciona o desafio

O formato criado por Atala é simples: os ingredientes se enfrentam em duplas e, a cada rodada, um é descartado. A dinâmica lembra campeonatos esportivos e permite que o público acompanhe a trajetória de cada alimento até a escolha final. Com dez participantes, a disputa provoca engajamento e opiniões divididas nos comentários.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Para Atala, por trás da competição há um convite para repensar preconceitos gastronômicos. Ingredientes rejeitados por muitos podem surpreender quando passam pela técnica certa — e o jiló é o exemplo favorito do chef.

Quem são os injustiçados

A lista de participantes reúne verdadeiros personagens polêmicos da culinária brasileira:

  • Jiló: tem sabor marcante e costuma ser odiado ou amado.
  • Quiabo: famoso pela textura pegajosa, mas versátil em ensopados e fritos.
  • Berinjela: muitas vezes amarga quando mal preparada.
  • Ervilha: divide opiniões até em receitas tradicionais.
  • Coentro: polêmico por causa do sabor forte.
  • Salsinha: discreta, mas frequentemente acusada de ser apenas enfeite.
  • Gengibre: picante e perfumado, nem sempre bem-vindo.
  • Pimenta: intensidade que assusta alguns paladares.
  • Chuchu: tratado como sem graça, mas elogiado pela absorção de sabores.
  • Uva-passa: protagonista da velha rivalidade nas ceias de fim de ano.

Jiló: o mais injustiçado na visão de Atala

Na avaliação do chef, o jiló é o grande injustiçado da cozinha. A palavra de ordem é técnica: quando bem preparado, o ingrediente de sabor amargo pode ganhar novas características e agradar até quem torce o nariz para ele. A defesa de Atala pelo jiló reacendeu o debate sobre como o preparo influencia a percepção de um alimento.

O quiabo também entrou na disputa como um caso clássico de reputação injusta. Muitas pessoas evitam o ingrediente por causa da baba, mas ele pode ganhar novas características quando submetido às técnicas adequadas de cozimento — como em refogados bem executados ou na famosa galinhada. A textura, que tanto afasta alguns, pode se transformar em um diferencial quando o calor e o tempo de preparo são controlados.

Chuchu e uva-passa: dois lados da mesma moeda

O chuchu, frequentemente acusado de não ter gosto, foi defendido pela capacidade de absorver sabores e texturas ao redor. Para os cozinheiros, é um ingrediente coringa que se adapta a diferentes preparações — um contraponto à ideia de que seria desinteressante. Em sopas, saladas, gratinados ou refogados, o chuchu funciona como uma tela em branco que ganha personalidade a partir dos temperos e dos acompanhamentos.

A uva-passa, por sua vez, mantém uma das rivalidades mais tradicionais das mesas brasileiras. Presente em receitas festivas, especialmente nas ceias de fim de ano, o ingrediente costuma dividir opiniões: alguns amam o contraste agridoce, outros fazem questão de retirá-lo dos pratos. A disputa envolvendo a uva-passa é quase um patrimônio afetivo das reuniões de família, e a inclusão dela no campeonato de Atala apenas reforça seu papel como um dos ingredientes que mais geram discussão no país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

E para você, qual é o mais injustiçado?

Ao final do vídeo, Atala provoca os seguidores a fazerem suas próprias escolhas e defenderem seus ingredientes preferidos. A resposta, ao que tudo indica, depende menos do ingrediente em si e mais da forma como ele chega ao prato. Com técnicas certas, qualquer um dos dez participantes pode se tornar o queridinho da cozinha. O desafio fica no ar: vale repensar os velhos hábitos à mesa e dar uma nova chance a quem sempre foi julgado pelo sabor, pela textura ou simplesmente pela fama.