Dois anos atrás, Fernanda R., consultora internacional de 29 anos, desinstalou seus aplicativos de namoro e jurou não usá-los mais. Mas ao ver amigos encontrando parceiros online, ela decidiu tentar novamente. Pouco tempo depois, estava gerenciando várias conversas, observando compulsivamente o celular e se sentindo pressionada a ser espirituosa e interessante. “Parece simplesmente esmagador”, diz ela. “Existe uma pressão invisível que começa a afastar você das suas amizades reais, do seu trabalho.”
O algoritmo inundou sua vida de pessoas, mas nada se encaixava. Fernanda se sentia mais solitária do que nos dois anos que passou solteira. Sua história é um exemplo do que se chama burnout dos aplicativos de namoro. Pesquisas indicam que os apps podem produzir um padrão reconhecível: exaustão, cinismo e a sensação de que nada funciona, levando o usuário a achar que o problema é ele mesmo.
Estudos relacionam os aplicativos de namoro a maiores índices de depressão, ansiedade e solidão. “Parece que os objetivos dos aplicativos são fundamentalmente incongruentes com os dos usuários”, afirma Liesel Sharabi, diretora do Laboratório de Tecnologia e Relacionamentos da Universidade Estadual do Arizona. Se as pessoas recebessem ótimas recomendações e saíssem em encontros incríveis, sairiam dos apps para sempre. “Mas não é o que acontece. As pessoas estão constantemente entrando e saindo, em ciclos.”
Um estudo de 2024 acompanhou centenas de usuários ao longo de três meses e concluiu que o burnout atinge usuários de forma generalizada. A avaliação clássica qualifica o burnout em três categorias: exaustão emocional, cinismo (ou despersonalização) e ineficiência. A exaustão aparece quando deslizar a tela deixa o usuário sem motivação e cansado. O cinismo ocorre quando os perfis se misturam e as interações deixam de parecer humanas. Já a ineficiência é a convicção de que nada no aplicativo vai funcionar, seja por incompetência própria ou por algo errado com o usuário.



