Os aplicativos de relacionamento, que revolucionaram a forma como millenials se conectavam, estão perdendo espaço entre a Geração Z. Uma pesquisa de 2023 da empresa Savanta revelou que 9 em cada 10 jovens dessa geração relatam burnout da paquera e evitam essas plataformas. Entre os motivos estão cansaço emocional, frustração com expectativas não atendidas e preferência por encontros presenciais.
O profissional de marketing Vinícius Cardoso, de 27 anos, desinstalou todos os apps após quase uma década de uso. A jornalista Diana Cheng, também de 27 anos, afirma que os aplicativos ajudam a iniciar conversas, mas as expectativas pessoais e as 'réguas' de aprovação geram frustrações que desmotivam novas interações.
A queda de popularidade reflete no mercado financeiro. As ações do Match Group (dono do Tinder, OkCupid e Hinge) caíram cerca de 75% desde 2021, enquanto as do Bumble despencaram 90%. O Match Group anunciou demissão de 6% de seus funcionários após sete semestres consecutivos de declínio no número de usuários pagos.
No Brasil, os downloads do Tinder caíram 42% entre 2022 e 2024, passando de 7 milhões para 4 milhões. O Bumble teve alta de 24% no número de usuários ativos no terceiro trimestre de 2024, mas partindo de uma base dez vezes menor que a do concorrente. Os downloads do Bumble também oscilaram, chegando a 4 milhões em 2023 e recuando para 2 milhões em 2024.
Analistas apontam que os apps foram criados por millenials para millenials e têm dificuldade de se adaptar às preferências da Geração Z, que valoriza encontros presenciais. Enquanto isso, plataformas focadas em nichos específicos, como o Grindr (voltado ao público gay), têm melhor desempenho: suas ações subiram mais de 56% em 2024.
Para reverter a crise, o Bumble trocou de CEO no fim de 2023, colocando a brasileira Lidiane Jones no comando, que prometeu investir em inteligência artificial para impulsionar o crescimento. O cenário mostra que a era de ouro dos aplicativos de namoro pode estar chegando ao fim entre os mais jovens.



