O programa Foundry do YouTube Music, criado em 2015, anunciou nesta quarta-feira (3) os nomes dos 24 artistas da classe de 2026. A iniciativa tem como missão apoiar vozes diversas e inovadoras da comunidade musical independente global. Nomes como Dua Lipa, Rosalía e Omar Apollo já receberam apoio do projeto. Entre os brasileiros que já estiveram na lista do Foundry estão Marina Sena, Duquesa, Tuyo, ÀVUÀ, Kaike e Ana Laura Lopes.
Em 2026, o programa selecionou artistas de 11 países. Entre os selecionados, estão três brasileiros: Amanda Magalhães, Franco, The Sir! e MC Luanna.
Segundo Vivien Lewit, Diretora Global de Artistas do YouTube, "o Brasil é uma força global na indústria da música e nosso objetivo é levar a próxima onda de artistas brasileiros para um estágio global com o Foundry." Ela afirma: "Temos defendido consistentemente o talento brasileiro no Foundry. A beleza do YouTube é que ele derruba fronteiras geográficas, e podemos ajudar os artistas brasileiros a estabelecer relacionamentos genuínos e duradouros com fãs em todo o mundo."
Os brasileiros no Foundry 2026
AMANDA MAGALHÃES
Amanda Magalhães tem 34 anos e é cantora, atriz, produtora e compositora. O primeiro álbum da artista carioca, "Fragma" (2020), trouxe participações de Seu Jorge e Liniker. Com um trabalho voltado para a cena musical brasileira contemporânea, Amanda também viralizou nas redes sociais com vídeos em que faz remixes com falas de celebridades e autoridades como os apresentadores Ana Maria Braga e William Bonner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Amanda tem 10,8 mil assinantes em seu canal no YouTube, 217 mil seguidores no Instagram e quase 290 mil ouvintes mensais no Spotify.
Como foi receber a notícia de ser selecionada pela Foundry? Amanda Magalhães: "Eu surtei quando soube! O YouTube sempre fez parte da minha trajetória criativa, seja através da música, dos meus remixes ou dos conteúdos que produzo para as redes. Ser reconhecida por uma iniciativa tão relevante, que aposta em artistas e criadores com potencial de inovação, me deu uma sensação muito bonita de que estou no caminho certo. Além da felicidade, senti também um grande incentivo para continuar experimentando e expandindo possibilidades dentro do meu trabalho."
Como acha que isso vai impactar na sua carreira daqui pra frente? "Acredito que a Foundry chega em um momento muito importante pra mim. Tô desenvolvendo novos projetos musicais e audiovisuais e vejo essa oportunidade como uma chance de ampliar horizontes, trocar experiências e explorar formatos que talvez eu não conseguisse experimentar sozinha. Também enxergo o programa como uma forma de fortalecer minha conexão com o público e levar meu trabalho pra novas audiências."
Acompanha o projeto como um todo? Fica de olho nos artistas selecionados? "Sim, sempre acompanhei. Curto observar como cada criador utiliza a plataforma de uma forma única pra desenvolver linguagem e construir comunidade. Foi através do programa que descobri alguns artistas de quem hoje sou muito fã, como Rosalía, Duquesa, Arlo Parks..."
Quem são suas referências na música? "Espero não ser mal interpretada com o que vou responder, mas ultimamente tenho buscado ser minha própria referência. Me refiro a tentar ser fiel àquilo que for genuíno de mim enquanto artista. É meio inevitável que a gente seja uma soma de tudo aquilo que já consumimos porque as coisas que amamos ficam dentro da gente de alguma forma. Acho rico também que a gente possa se inspirar uns nos outros. Mas tenho evitado usar como norte o trabalho de quem eu gosto pra não cair na cilada de deixar de viver a minha própria jornada criativa. Isso de se apoiar em referências musicais já me impediu antes de me aprofundar nas possibilidades que eu mesma posso trazer enquanto alguém que cria. Sinto que no novo álbum estou me redescobrindo e explorando novos lugares por conta disso. Quando mostro uma música do novo repertório pra alguém e dizem que faz lembrar de fulana ou sicrano fico até meio bolada porque sinto que falhei na missão. Mas enfim, é um exercício. E isso não significa que certos artistas não tenham me marcado de maneira emblemática no meu processo de formação musical: Rita Lee, Jamiroquai, Nação Zumbi, Lauryn Hill, Marcelo D2, Billie Holiday, Banda Black Rio, Hiatus Kaiyote, Childish Gambino... são apenas alguns deles. A lista é longa e bastante eclética."
FRANCO, THE SIR!
Franco, The Sir! tem 19 anos, é autodidata e produz, mixa e compõe suas próprias faixas. Com um trabalho voltado para o trap nacional, ele já chamou a atenção de artistas da cena como Brandão, DaLua, Alee, entre outros. Junto com Ajuliacosta, o cantor fez, no último mês, uma participação no single "Sua Favorita", de Budah. Franco, The Sir! tem 44,5 mil assinantes em seu canal no YouTube, 154 mil seguidores no Instagram e quase 657 mil ouvintes mensais no Spotify.
Como foi receber a notícia de ser selecionado pela Foundry? Franco, The Sir!: "Eu fiquei muito feliz porque uma colaboração um pouco mais intimista com o YouTube é algo que eu já desejava há muito tempo, e veio de uma maneira muito natural. É reconfortante saber que, de alguma forma, o YouTube com sua gama infinita de artistas acreditou também no que eu tenho criado."
Como acha que isso vai impactar na sua carreira daqui pra frente? "Eu acho que o maior impacto é em relação à expansão mesmo de entrega do meu trabalho, não só para o público, mas também para outras companhias que trabalham com plataformas de streaming, plataformas de reprodução. Eu acho que o YouTube Foundry é a expansão para isso."
Acompanha o projeto como um todo? Fica de olho nos artistas selecionados? "Eu sabia de certa forma do projeto, eu não acompanhava de uma forma tão atualizada, mas eu tenho noção do impacto do projeto desde a criação do YouTube Foundry como um contexto geral da história do YouTube."
Quem são suas referências na música? "As minhas referências na música são bem diversas. Tenho meus favoritos que escuto desde sempre, o Daniel Caesar é um deles. E o Jean Tassy, aqui no Brasil. Mas é uma gama bem extensa. Tem o Djavan, Thundercat... eu gosto bastante de musicalidade."
MC LUANNA
Mc Luanna tem 31 anos, nasceu na Bahia, mas mora em São Paulo. Cantora e compositora, ela usa sua música para traduzir sua vivência através de letras nos segmentos de rap, trap e funk. Apesar de nunca ter sonhado em ser rapper, começou a se dedicar às rimas na pandemia. Em março, Mc Luanna lançou seu álbum mais recente, "Irrefreável". Mc Luanna tem 158 mil assinantes em seu canal no YouTube, 663 mil seguidores no Instagram e quase 2,1 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
Como foi receber a notícia de ser selecionada pela Foundry? Mc Luanna: "Receber a notícia foi incrível! Quem acompanha a minha trajetória como Mc Luanna sabe que sou uma artista independente desde sempre, então ver o meu trabalho ser reconhecido por um programa da importância do Foundry é muito significativo! Fiquei muito grata pelo convite e pela oportunidade de expandir o meu som com o suporte deles!"
Como acha que isso vai impactar na sua carreira daqui pra frente? "Minha expectativa é a melhor possível! Acredito que o Foundry vai trazer um impacto extremamente positivo e significativo para a minha carreira daqui para frente. Eu e toda a minha equipe já estamos trabalhando muito, nos dedicando ao máximo para entregar um resultado impecável dentro de todas as propostas do projeto. Sinto que é o momento perfeito, porque temos alguns projetos sendo construídos para o decorrer deste ano, e o suporte do YouTube vai ser o combustível que precisávamos para fazer tudo acontecer da melhor forma!"
Acompanha o projeto como um todo? Fica de olho nos artistas selecionados? "Sim, com certeza! Eu acompanho o Foundry já há bastante tempo e tenho um carinho enorme por esse projeto, justamente porque ele tem esse olhar sensível para o mercado independente. Fico sempre de olho em quem é selecionado e acho incrível ver como o programa traz novos nomes à tona. E para mim tem um gosto ainda mais especial, porque vi de perto amigas minhas participando, como a Duquesa. Fiquei feliz demais pelo projeto delas e pela trajetória de cada uma. Inclusive na época eu já pensava: 'Não vejo a hora de ser o meu momento', e finalmente esse momento chegou, e estou muito animada de fazer parte dessa história agora!"
Quem são suas referências na música? "Minhas referências musicais vêm muito do que vejo com meus olhos. É grandioso o movimento que a Duquesa faz, que a Tasha e Tracie faz. Eu sou fã das minhas amigas e o movimento delas fazem com que eu me movimente."
Como fazer parte do Foundry?
Vivien Lewit explica que todo artista independente em desenvolvimento que tenha um lançamento de videoclipe programado é elegível e pode enviar suas inscrições para o projeto. "O processo de curadoria é altamente colaborativo, rigoroso e enraizado na cultura local. É um esforço de equipe massivo que envolve nossos times globais de música avaliando artistas em diferentes regiões, incluindo as Américas, Europa e Ásia. Analisamos milhares de artistas para encontrar aqueles que realmente representam o futuro da música independente e com quem podemos fazer parcerias a longo prazo", afirma.
Ela ainda cita que aparecer na lista é apenas o ponto de entrada. O programa inclui uma parceria que prepara o artista para o sucesso. O suporte inclui:
- Apoio Financeiro: Os artistas recebem uma doação financeira direta para investir em seu ofício, seja para criação de conteúdo, produção ou campanhas de lançamento independentes.
- Suporte e Educação: Suporte contínuo e dedicado de gerentes de parceria do YouTube, acesso antecipado aos recursos mais recentes do YouTube Music e oportunidades de mentoria para ajudar a navegar no ecossistema de música digital.
- Marketing e Promoção: Apoio com recursos de marketing global, suporte em playlists e oportunidades promocionais de alta visibilidade — incluindo a presença de artistas em outdoors em locais emblemáticos como a Times Square em Nova York e a Estação de Metrô Sé em São Paulo.



