A Viridis Mining pode se consolidar como uma fornecedora estratégica de terras raras fora da China, segundo analistas, em um momento em que a disputa geopolítica por minerais críticos ganha peso crescente no mercado global. A empresa, listada na bolsa australiana, viu suas ações subirem quase 390% em 2025.
Potencial do Projeto Colossus
Em relatórios recentes, o Itaú BBA destacou o potencial do projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas (MG), como um dos ativos mais promissores da mineradora entre os depósitos de argila iônica fora da China. O projeto combina escala, custos competitivos, infraestrutura favorável e avanço no cronograma de implantação.
A tese ganha força em um contexto de maior preocupação com a concentração da oferta global nas mãos da China. O alerta aumentou após Pequim impor, em 2025, controles de exportação sobre disprósio (Dy) e térbio (Tb), metais considerados críticos para cadeias industriais ligadas a veículos elétricos, energia eólica, robótica, data centers, defesa e inteligência artificial. Para o BBA, esse cenário reforça a relevância estratégica de projetos alinhados ao Ocidente com capacidade de entrar em produção nos próximos anos.
Recursos e Reservas
Segundo o banco, a Viridis “não é apenas mais uma junior de exploração”, mas uma potencial plataforma relevante para a diversificação da cadeia de suprimentos de terras raras. O Colossus reúne cerca de 493 milhões de toneladas de recursos a aproximadamente 2.500 ppm de óxidos totais de terras raras (TREO), dos quais 201 milhões de toneladas já são classificados como reservas. O depósito é enriquecido em neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, matérias-primas essenciais para a fabricação de ímãs permanentes.
Capacidade de Produção
A companhia trabalha com uma capacidade inicial de 5 milhões de toneladas por ano de minério bruto (ROM), com produção estimada de cerca de 9,5 mil toneladas anuais de TREO e 3,5 mil toneladas de óxidos magnéticos de terras-raras (MREO). Na visão do Itaú BBA, o projeto se beneficia da localização em uma região mineradora consolidada, com acesso a estradas, energia, água e mão de obra, além de condições favoráveis para lavra a céu aberto e uma intensidade de capital inferior à observada em projetos de rocha dura.
Parceria com Solvay
Entre os gatilhos mais relevantes para a tese está a Carta de Intenção (LoI) não vinculante assinada com a Solvay, grupo apontado pelo banco como o principal player de separação de terras raras fora da China. O acordo prevê o fornecimento de carbonato misto de terras raras (MREC) do Colossus para a planta da companhia francesa. Para os analistas, esse entendimento ajuda a ancorar o posicionamento da Viridis na cadeia ocidental e pode ser um passo importante para o financiamento do projeto e para a decisão final de investimento.
Suporte Estratégico
O Itaú BBA também chama atenção para outro ponto considerado pouco precificado pelo mercado: a possibilidade de suporte estratégico de governos da Europa e dos Estados Unidos. De acordo com o banco, a companhia mantém conversas avançadas sobre mecanismos de proteção de preços, o que poderia reduzir o risco de receita do projeto em cenários mais fracos para a commodity, sem eliminar o potencial de alta em um ambiente mais favorável.
No cronograma, a empresa já produziu o primeiro lote de MREC em sua planta de demonstração no fim de maio, obteve a Licença Prévia no fim de 2025 e espera avançar com a Licença de Instalação no segundo semestre de 2026. A expectativa é concluir o estudo de viabilidade definitivo (DFS) em breve, tomar a decisão final de investimento (FID) ainda em 2026 e iniciar a produção comercial em 2028. A Viridis também firmou em 4 de junho um acordo vinculante com a DME Energética, garantindo capacidade de fornecimento de energia para o projeto.
Catalisadores
Segundo o Safra, entre os principais catalisadores para o nome estão a atualização das estimativas de recursos e reservas, a continuidade das campanhas de perfuração, a conclusão dos estudos, prevista para meados de junho, além de novos testes na planta de demonstração. Na avaliação do Safra, a evolução dessas frentes deve ajudar a dar mais visibilidade ao potencial operacional do ativo e ao grau de maturidade do projeto.
O banco também chama atenção para o andamento do processo regulatório, assim como o BBA. Ao mesmo tempo, destaca que a companhia mantém a meta de decisão final de investimento (FID) em setembro, embora reconheça que o desenvolvimento de projetos de argila iônica em escala comercial envolve complexidade técnica e regulatória relevante. Para o Safra, a entrega desses marcos será essencial para reduzir incertezas e sustentar a confiança do mercado na execução do projeto.
Para o Itaú BBA, o pano de fundo estrutural segue favorável. A China ainda responde por cerca de 70% da mineração e 90% do refino global de terras raras, e a reconstrução da capacidade de separação e produção de ímãs fora do país deve levar anos. Nesse ambiente, projetos com escala, execução crível e alinhamento estratégico tendem a carregar prêmio adicional.
O banco lembra ainda que o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, além de contar com infraestrutura mineradora madura e ambiente regulatório considerado favorável, o que reforça o potencial competitivo de ativos como o Colossus.
Métricas Robustas
Do ponto de vista financeiro, o Itaú BBA avalia que o Colossus apresenta “métricas robustas”. Considerando o preço-base de US$ 90 por quilo de óxido de neodímio e praseodímio (NdPr) no estudo preliminar, o projeto pode entregar NPV (valor presente líquido) pré-impostos de US$ 1,4 bilhão, TIR (Taxa Interna de Retorno) de 43%, fluxo de caixa operacional anual de US$ 197 milhões e payback de cerca de dois anos.
Em um cenário mais otimista, com NdPr a US$ 110/kg, o valor presente pode chegar a US$ 2 bilhões e a TIR subir para 55%. O banco destaca ainda custo C1 de US$ 6,2/kg de TREO, Custo Total Sustentável (AISC) de US$ 9,3/kg e capex total de US$ 358 milhões.



