O repórter Marcus Celestino, do Jornal do Carro, realizou um teste real com o Volvo EX90, percorrendo 1.336 km entre São Paulo, Rio de Janeiro e Macaé (sua cidade natal). O objetivo era avaliar a autonomia, a infraestrutura de recarga e o conforto em um roteiro mais realista do que um simples passeio urbano.
Autonomia suficiente para o trecho SP-RJ
O Volvo EX90 possui bateria de 111 kWh e autonomia de 459 km segundo o Inmetro. No teste, foi possível sair de São Paulo (bairro da Casa Verde, Zona Norte) e chegar ao Rio de Janeiro sem recarregar, com 16% de bateria restante. Isso reforça que, em condições reais de estrada, é plausível fazer o trecho entre as duas maiores cidades do país sem parar em eletroposto.
No entanto, o destino final era Macaé, a 186 km do Rio, totalizando cerca de 600 km de viagem. A infraestrutura na BR-101 entre Rio e Macaé ainda é incipiente, e com apenas 16% de bateria, o repórter optou por recarregar na Zona Sul do Rio em uma estação rápida de 120 kW.
Recarga: teoria vs. realidade
O Volvo EX90 suporta carregamento em corrente contínua de até 250 kW, podendo ir de 10% a 80% em 30 minutos. Porém, na prática, para recuperar de 16% a 100%, o carro ficou 96 minutos na estação. A velocidade efetiva depende da potência da estação, da curva de recarga, da temperatura da bateria e do percentual inicial e final de cada parada.
Após a recarga, o repórter seguiu para Macaé e chegou com 42% de autonomia. Durante dois dias na cidade, rodou 104 km e precisou recarregar novamente em um posto no bairro da Cancela Preta. Sob chuva fina, a recarga de 21% a 100% levou 77 minutos.
No retorno, parou em Itatiaia (Sul Fluminense) com 18% de bateria. A última recarga até 100% tomou 82 minutos. Enfrentou trânsito intenso na Dutra e chegou em casa com 26% de bateria. O consumo médio foi de 22 kWh/100 km (cerca de 4,5 km/kWh), o que em equivalência energética corresponde a aproximadamente 40,5 km/l.
Custo total e tempo de parada
Foram três recargas em estações de 120 kW, com os seguintes custos e tempos: R$ 265,96 (96 min), R$ 237,28 (77 min) e R$ 190,31 (82 min). Somadas, as cobranças totalizaram R$ 693,55 e 255 minutos (4h15) conectado ao carregador ao longo da experiência.
O repórter ressalta que viajou sozinho, sem excesso de bagagem, o que favorece o consumo. Em um carro de 2.712 kg, variações de peso, ar-condicionado, velocidade, relevo e trânsito podem alterar o resultado.
Conforto e desempenho do Volvo EX90
O SUV é equipado com suspensão a ar, bancos dianteiros com ajustes elétricos, memória, aquecimento, ventilação e massagem, ar-condicionado digital de quatro zonas, teto panorâmico e sistema de som Bowers & Wilkins. O silêncio interno é notável, e a direção elétrica garante boa progressividade.
O EX90 conta com dois motores elétricos que rendem 517 cv de potência e 91 kgfm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em 4,9 segundos. Mede 5,03 m de comprimento, 2,11 m de largura, 1,74 m de altura e 2,98 m de entre-eixos. O porta-malas tem capacidade para 697 litros.
A central multimídia com tela vertical de 14,5 polegadas concentra os comandos, com painel digital de 9 polegadas, head-up display, Google integrado, Apple CarPlay e pacote robusto de assistências de condução.
Conclusão: autonomia não é mais a vilã, mas infraestrutura ainda dita o ritmo
O teste mostrou que já é possível ir de São Paulo ao Rio de Janeiro com um carro elétrico sem recarregar, pelo menos em um modelo como o Volvo EX90 e em condições favoráveis. Para ir além, o planejamento continua obrigatório, não por medo de ficar parado, mas porque cada recarga ainda precisa entrar na conta do tempo total de viagem.
O EX90 provou que autonomia não é mais a vilã absoluta. O SUV entregou conforto exemplar, rodou mais de 1.300 km sem drama e mostrou que o uso real pode se aproximar bastante do prometido quando há bateria suficiente, planejamento e uma condição de carga menos exigente. O único porém, ao menos por ora, são os minutos perdidos no caminho.



