As ações da SpaceX fecharam em alta na primeira semana de negociação, mas a trajetória turbulenta mostrou que o maior IPO da história não está imune à volatilidade que afeta grandes empresas após a abertura de capital. Os papéis da empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial de Elon Musk caíram 3,6% na quinta-feira, acumulando queda de 8,3% em dois dias. Ainda assim, a companhia encerrou a semana com valorização de 37% em relação ao preço de US$ 135 da oferta pública inicial, alcançando capitalização de mercado de US$ 2,4 trilhões, a sexta maior do mundo.
Analistas comentam movimentação
Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial, afirmou que a queda após forte alta é mais um sinal de exaustão do que problema fundamental. "Houve uma alta quase vertical desde o IPO, com poucas ações em circulação. Em algum momento, os compradores precisam respirar", disse. Ele destacou que o preço de US$ 135 é o nível de referência e, enquanto o papel estiver acima disso, não há motivo para preocupação.
O varejo contribui para a volatilidade, após receber cerca de 20% das ações do IPO. Investidores individuais foram grandes compradores líquidos nos primeiros dias, superando até a Nvidia. Na quarta-feira, os fluxos do varejo se estabilizaram, com compra líquida de US$ 2,3 milhões. Já na quinta-feira, houve vendas líquidas de US$ 3,5 milhões nos primeiros 10 minutos, antes de os fluxos voltarem a crescer.
Expectativas de receita desafiam investidores
Michael Monaghan, sócio da Founder Funds, que detém ações da SpaceX, disse que a empresa precisa de receitas de US$ 200 bilhões em 2030 para justificar a valuation. "Literal e figurativamente, você precisa de um foguete para alcançar essas receitas", ponderou. Andrew Beale, da Arete Research, iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 401, mas alertou para riscos como atrasos em lançamentos e desafios técnicos.
"O espaço é um ambiente complexo e os cronogramas podem sofrer atrasos devido a anomalias, desafios técnicos, preocupações ambientais e outros fatores. Todas as estimativas devem ser tratadas com cautela", disse Beale.
Possível emissão de títulos e inclusão em índices
Banqueiros da SpaceX preparam teleconferências para uma oferta de títulos de ao menos US$ 20 bilhões, segundo a Bloomberg News. A empresa pode ser adicionada ao Nasdaq 100 após 15 dias de negociação, graças a mudanças nas regras da Nasdaq. Também poderá entrar nos índices FTSE Russell e MSCI. Cerca de 30% das ações em livre circulação devem ser detidas por investidores passivos em duas semanas, segundo a Intropic. A baixa liquidez, devido a cláusulas de bloqueio para executivos, pode pressionar os papéis para cima.
Ann Miletti, da Allspring Global Investments, observou que ETFs e outros produtos estão surgindo para capturar o legado da SpaceX. "Investidores focados em índices de referência pensam em como se posicionar se a ação entrar em algum índice", disse.
Volatilidade deve continuar
Apesar da pressão vendedora, as ações da SpaceX superam o desempenho médio da primeira semana de 30 grandes IPOs de tecnologia dos EUA nos últimos 15 anos, segundo a Truist Advisory Services. Dec Mullarkey, da SLC Management, afirmou que ainda há muita volatilidade e que compras táticas devem levar semanas para se dissipar. "Ainda estamos no início da descoberta de preço para determinar uma faixa de negociação razoável", concluiu.



