A Marcopolo (POMO4) apresentou um desempenho operacional positivo em maio de 2026, superando o ritmo de crescimento médio do setor de ônibus registrado pela FABUS (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus). As ações da companhia subiram 0,53%, cotadas a R$ 5,73 por papel, às 16h.
Produção do setor e desempenho da Marcopolo
A produção total do setor atingiu 2.480 unidades em maio, representando uma alta de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora configure um recuo de 2% na comparação mensal. “Vemos a Marcopolo performando levemente acima da indústria em maio de 2026, com produção consolidada em alta de 7% ano a ano (contra +4% da indústria), mantendo o market share dos últimos 12 meses de 47%”, afirmam os analistas da XP Investimentos em relatório divulgado na última quarta-feira (10).
Além disso, os analistas mencionam que a produção total da fabricante gaúcha, incluindo os volumes voltados ao exterior, expandiu 12% por dia útil na comparação anual, mantendo um forte ritmo de 60 unidades diárias, patamar muito próximo do recorde de 61 unidades registrado em abril.
Mercado doméstico impulsiona resultados
No mercado doméstico, a produção local da Marcopolo avançou 12% na comparação anual, atingindo 55 unidades por dia útil (crescimento de 18% em base anual ajustada). Esse avanço interno foi impulsionado pelo segmento de mini-ônibus, que disparou 135% em relação a maio do ano passado, além da marca Volare, que cresceu 29%.
Sobre a forte alta segmentada, ela ocorre devido a um aumento significativo por parte do Ministério da Saúde, “com aproximadamente 1,3 mil unidades ainda a serem entregues no segundo trimestre”, segundo relatório do Bradesco BBI. Os analistas do BBI ressaltam o fato positivo de a montadora preservar esse ritmo elevado de fabricação mesmo após o encerramento das entregas do programa Caminho da Escola em abril.
Essa forte tração interna foi essencial para os resultados, já que “a produção local ficou +12% ano a ano, compensando parcialmente a queda nas exportações”, diz o relatório da XP Investimentos. No mercado externo, as vendas da empresa ajustadas por dia útil caíram 24% em base anual (uma sutil melhora frente à queda de 29% do mês anterior).
Segmentos tradicionais em queda
Por outro lado, os segmentos tradicionais de maior porte da Marcopolo continuaram fracos: o urbano doméstico despencou 43% na comparação anual e o rodoviário doméstico por dia útil encolheu 50%. Em ambas as categorias, as quedas da empresa foram maiores que as da média da indústria (que recuou 26% em urbanos e 36% em rodoviários). No entanto, os analistas explicam que isso faz parte do planejamento da empresa.
“Vemos o declínio mais pronunciado e a menor participação de mercado da Marcopolo nesses segmentos como parte da estratégia da empresa de não expandir capacidade apesar das fortes encomendas do Ministério da Saúde e do Caminho da Escola, resultando em uma abordagem mais seletiva que prioriza ônibus de maior valor agregado”, diz o relatório do Bradesco BBI.
Dinâmica do setor
Esse movimento da fabricante reflete a dinâmica de toda a indústria de carrocerias. Conforme o balanço oficial da FABUS, o mês, que contou com 20 dias úteis (mesma base de abril e um dia a menos que maio de 2025), registrou uma produção total de 2.480 unidades, com alta de 4% na comparação anual e queda de 2% na mensal.
Enquanto o mercado doméstico avançou 9%, impulsionado pelo segmento de micro-ônibus (+126% A/A e +45% M/M), as exportações totais do setor sofreram forte contração de 27% na comparação anual (ou -23% por dia útil). Para os próximos meses, o mercado projeta sustentação das fábricas “à medida que as entregas do programa Caminho da Escola reacelerem”, diz o relatório da XP Investimentos.
No curto prazo, o programa Move Brasil desponta como novo gatilho, “embora a VW (Volkswagen) observe que o crédito subsidiado disponível provavelmente será totalmente utilizado até agosto”, diz o relatório da XP Investimentos.



