Com o retorno do imposto de importação para carros híbridos e elétricos à alíquota cheia de 35%, subindo dos atuais 28%, os veículos montados no Brasil ficarão relativamente mais baratos. É o caso do GWM Haval H6, que desde o final de 2025 é montado em Iracemápolis, interior de São Paulo. A decisão da Camex, no entanto, deve adiar a vantagem competitiva representada pela nacionalização.
A mudança não significa, porém, que o preço para o consumidor ficará menor. Na realidade, o preço do SUV híbrido deve se manter. Com a alíquota de importação de 35%, as unidades provenientes da China ficariam mais caras e, consequentemente, a diferença seria repassada aos clientes.
Produção nacional ainda não atende à demanda
Atualmente, a fábrica da GWM no Brasil produz apenas três modelos: os SUVs Haval H6 e H9 e a picape Poer. A caminhonete é a única com produção suficiente para atender à demanda do mercado nacional. Os dois SUVs precisam de complemento de importação, já que a produção local não é capaz de suprir a demanda, especialmente no caso do Haval H6.
Em entrevista a Quatro Rodas, Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM, afirmou que hoje 65% das unidades do SUV híbrido emplacadas são produzidas em Iracemápolis, mas que a demanda só seria suprida com um investimento na fábrica para ampliar sua capacidade produtiva.
Montadoras chinesas pedem manutenção da alíquota anterior
Nesta terça-feira, 23, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) renovou, por mais seis meses, a cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor total de US$ 463 milhões. A medida, no entanto, tem sido duramente criticada.
De um lado, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) havia iniciado uma mobilização contra a prorrogação dos descontos no Imposto de Importação de veículos.
Do outro, a BYD e outras montadoras chinesas estavam interessadas na manutenção dos descontos. Alexandre Baldy, vice-presidente da companhia no Brasil, nega que a marca tenha feito novas exigências ao governo. Mas diz que o Governo Federal não cumpriu uma promessa feita durante o processo de negociação do imposto.
O governo havia prometido liberar semestralmente cotas de importação de conjuntos CKD e SKD, condicionada à comprovação de investimentos locais pelas novas marcas. Baldy afirma que essas cotas não foram liberadas, mesmo após a comprovação de investimento de R$ 3 bilhões em Camaçari, na Bahia.



