Fazenda Monte Alegre e 'Rei do Café' transformaram Ribeirão Preto
Fazenda Monte Alegre e 'Rei do Café' transformaram Ribeirão

A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, deve grande parte de sua história e desenvolvimento ao café. Um dos símbolos mais marcantes desse período é a antiga Fazenda Monte Alegre, propriedade que ajudou a transformar o município em referência mundial na produção do grão. O café também consolidou a trajetória do coronel Francisco Schmidt, conhecido como o "Rei do Café". No auge da produção cafeeira, ele chegou a administrar 16 milhões de pés de café em fazendas espalhadas pelo interior paulista.

A chegada do café ao Brasil e a Ribeirão Preto

O café chegou ao Brasil no início do século XVIII, trazido pelo português Francisco de Melo Palheta, que introduziu os grãos na região Norte do país. Anos depois, o cultivo se expandiu para o Maranhão, Pará e, posteriormente, para o Rio de Janeiro. O Estado de São Paulo teve o primeiro contato com o produto apenas na década de 1830, quando o grão chegou ao Vale do Paraíba.

A cafeicultura na região de Ribeirão Preto ganhou impulso a partir de 1876, quando o médico e agrônomo Luiz Pereira Barreto passou a divulgar as qualidades da terra roxa para o cultivo do café. O solo fértil atraiu investidores e produtores para o interior paulista, impulsionando o desenvolvimento econômico de Ribeirão Preto.

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A Fazenda Monte Alegre e o "Rei do Café"

Antes da chegada do café, a Fazenda Monte Alegre pertencia a João Franco de Moraes Octávio, que se dedicava à criação de gado e à agricultura. Em 1890, a propriedade foi adquirida por Francisco Schmidt e Arthur Diederichsen. Pouco tempo depois, Schmidt tornou-se o único proprietário da fazenda.

Imigrante alemão, Schmidt chegou ao Brasil ainda criança e construiu um império agrícola a partir da compra e administração de fazendas. Com apoio financeiro de empresas exportadoras, expandiu os negócios para diversas cidades da região, incluindo Ribeirão Preto, Sertãozinho, Brodowski, Serrana, Franca e Orlândia. No auge, possuía 62 fazendas e cerca de 16 milhões de pés de café. Em 1913, era considerado o maior produtor individual de café do Brasil e recebeu o título de "Rei do Café".

A importância da ferrovia e o declínio do café

O sucesso da produção cafeeira foi impulsionado pela chegada da Estrada de Ferro Mogiana a Ribeirão Preto em 1883. A ferrovia reduziu os custos de transporte e permitiu que o café da região chegasse ao Porto de Santos para exportação. As grandes fazendas passaram a contar com ramais ferroviários próprios, facilitando o escoamento da produção.

A crise econômica de 1929 marcou o início do declínio da cafeicultura como principal economia da região. Com o passar das décadas, a Fazenda Monte Alegre deixou de exercer o protagonismo produtivo que teve no início do século XX.

Da fazenda à universidade

Em 1942, o Governo do Estado instalou no local a Escola de Agricultura "Getúlio Vargas". Dez anos depois, parte da área passou a abrigar unidades da Universidade de São Paulo (USP), dando origem ao atual campus da instituição em Ribeirão Preto. A antiga sede da fazenda foi transformada em museu e tornou-se um dos principais marcos da preservação da memória cafeeira da cidade. O local, porém, está fechado por falta de manutenção há quase uma década, mas existem projetos em curso para restauração do memorial.

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