Tomar decisões nunca foi tarefa simples para quem empreende. Em um ambiente marcado por juros elevados, mudanças tecnológicas aceleradas, transformações no consumo e incertezas econômicas, a capacidade de adaptação passou a ser tão importante quanto a própria ideia de negócio.
Foi justamente essa combinação entre estratégia, resiliência e visão de futuro que norteou o encontro “Experiência Itaú Empresas Curitiba: Cultura de Inovação e IA aplicada aos negócios”, realizado na capital paranaense. O evento reuniu empresários, executivos e especialistas para discutir os desafios de crescer de forma sustentável em um contexto cada vez mais dinâmico.
Parceria estratégica
Na abertura, o diretor de Negócios do Itaú Empresas, Bruno Machado, destacou a relevância do empreendedorismo para a economia e o propósito da iniciativa de promover conteúdo, conexões e troca de experiências entre empresários. “Curitiba não foi escolhida de forma aleatória. É uma praça muito relevante para nós. Encontramos aqui negócios que crescem de forma estruturada e diversificada”, afirmou.
Segundo o executivo, o banco tem ampliado sua atuação para além da oferta de produtos financeiros. “O principal movimento é a mudança de uma relação centrada no produto para uma atuação como parceiro estratégico do empresário. O crédito continua sendo essencial, mas passa a fazer parte de uma visão mais ampla de gestão do negócio”, pontuou.
Machado ressaltou ainda que a proximidade com os clientes permite uma atuação mais efetiva. “Nossos gerentes atuam de forma consultiva, combinando proximidade com uso intensivo de dados para apoiar decisões relevantes, desde a gestão do fluxo de caixa até expansão e estrutura de capital”, explicou.
Cenário macroeconômico
Durante o evento, o economista do Itaú, Pedro Renault, apresentou uma análise do ambiente macroeconômico nacional e internacional. Em sua avaliação, o aumento das tensões geopolíticas e a pressão sobre os preços das commodities tendem a manter a inflação em patamar elevado e a reduzir o espaço para cortes mais significativos dos juros.
Apesar dos desafios, o economista destacou que o Brasil continua apresentando oportunidades relevantes, especialmente pela posição estratégica em cadeias globais de produção, pela força do agronegócio e pelo potencial de atração de investimentos.
Segundo ele, o País reúne características que podem favorecer sua competitividade nos próximos anos. “A gente tem um país que pode se beneficiar muito de mudanças na ordem global. Mudanças nas cadeias de suprimentos, alinhamentos entre os países. Tudo isso pode nos beneficiar”, disse.
Para o especialista, o momento exige atenção redobrada à gestão de riscos e ao planejamento financeiro. Em um ambiente de maior volatilidade, decisões relacionadas a crédito, câmbio e investimentos passam a ter peso ainda maior na estratégia das empresas. “Gestão de risco aqui é crucial. É não ficar exposto desnecessariamente, por exemplo, à variação da moeda”, alertou.
Experiências empreendedoras
O painel mediado pela jornalista Thayse Leonardi reuniu três empreendedores de setores distintos que compartilharam experiências sobre crescimento, cultura empresarial e tomada de decisão.
Fundadora da Modab, Bruna Haversko contou que a empresa nasceu de uma necessidade pessoal e ganhou escala ao manter o cliente no centro das decisões. Para ela, crescimento sustentável exige disciplina, capacidade de adaptação e disposição permanente para testar novos caminhos. “Acho que o principal é a constância e a execução. Mas também a abertura para testar muito. Essa mistura é o que traz resultado”, afirmou.
Kleber Amora, fundador da Berry Consultoria, destacou que muitas empresas não fracassam por falta de esforço, mas pela ausência de direção estratégica. Na sua visão, a inteligência emocional é um dos principais diferenciais de quem empreende. “Ter uma ideia todo mundo tem. Mas mantê-la ao longo do tempo, a consistência, a resiliência, é para poucos”, pontuou.
Já Mario René Cuéllar Fernandes, da Freddo Gelateria, relembrou os desafios de consolidar um produto premium em um mercado ainda pouco familiarizado com o conceito de gelato artesanal. Segundo ele, preservar a essência da marca foi decisivo para a expansão. “Jamais podemos mudar a nossa essência, a qualidade do produto. Não somos só mais um”, disse.
Inovação e inteligência artificial
No encerramento do encontro, o palestrante Arthur Igreja trouxe uma reflexão sobre inovação e inteligência artificial. Para ele, a transformação tecnológica já deixou de ser tendência para se tornar realidade cotidiana dentro das empresas.
Ao provocar o público sobre os desafios da inovação, o especialista lembrou que a resistência à mudança continua sendo um comportamento natural. “Todo mundo gosta de falar que ama inovação. Mas a primeira coisa que precisamos reconhecer é que mudança não é natural para o ser humano”, alertou.
Ao abordar o avanço da inteligência artificial, Igreja defendeu uma adoção pragmática das ferramentas, sem perder de vista o papel das competências humanas. “Negócios que não usarem inteligência artificial em grande escala terão dificuldade para competir. Mas o difícil continuará sendo encontrar pessoas com repertório, discernimento e capacidade de interpretação”, ressaltou.
Ao final da palestra, reforçou que tecnologia, sozinha, não resolve todos os desafios. “A pergunta mais importante continua sendo: o que cada um de nós faz de único e valioso? É isso que vai fazer a diferença daqui para frente.”
Essa mesma lógica apareceu ao longo de toda a noite. Em um cenário de mudanças constantes, crescer depende cada vez menos de respostas prontas e cada vez mais da capacidade de aprender, se adaptar e tomar decisões com consistência. Como resumiu Bruno Machado, o objetivo é que o empresário conte com “um banco que não apenas financia, mas ajuda a orientar o crescimento do seu negócio”.



