O sucesso do filme "Michael", cinebiografia do Rei do Pop que se tornou a maior bilheteria da história entre musicais, impulsionou a carreira de covers do artista no Brasil. Gleidson Rodrigues, conhecido como Gleidson Jackson, e Rodrigo Teaser, um dos maiores imitadores de Michael Jackson no mundo, relatam aumento expressivo na demanda por apresentações.
Agenda de shows cresce 300% após lançamento do filme
Gleidson Jackson, que interpreta Michael Jackson há mais de 25 anos, contou ao g1 que sua agenda teve um crescimento vertiginoso entre maio e julho. Em 2024, nesse período, ele fez cerca de 12 apresentações. Já em 2025, foram mais de 50. "O fluxo de contratações aumentou uns 300% quando entrou o filme. A grande dificuldade para a gente é que esse boom faz com que a gente tenha oferta de fazer shows todos os dias, mas isso seria uma irresponsabilidade", comentou.
Morador de Fortaleza, no Ceará, ele explica que a maioria dos convites vem da região Norte e Nordeste, e viajar o Brasil cantando e dançando exige planejamento, especialmente para quem trabalha de forma independente. Gleidson também é costureiro e produz suas próprias roupas para os shows.
Variedade de eventos e público se expande
Além do aumento no número de shows, a diversidade dos convites também cresceu. Gleidson chegou a se apresentar em uma despedida de solteiro. "Teve uma contratação que não entendi bem a festa e fiquei com vergonha de perguntar ao cliente. O 'homenageado' era muito fã do Michael Jackson e tinha a Madonna também. Por sinal, até conheço, uma grande amiga, a Verônica Pires [que faz a Madonna]”, relatou. "Tinha outras coisas que não posso entrar em detalhes, mas você entendeu: despedida de solteiro. Já dá para imaginar."
Rodrigo Teaser, por sua vez, viu suas datas de junho, mês da morte de Michael, duplicarem. "Assim que a produção lançou [as datas], esgotaram todos os shows de junho. É um efeito que tem acontecido no Brasil afora e até fora do Brasil também. Tivemos tantas datas extras aqui que muitos shows lá fora, de contratantes que entraram em contato, eu não pude nem assumir", explicou.
Repertório adaptado para incluir canções do filme
Os shows de Rodrigo e Gleidson são focados na fase áurea de Michael, retratada no filme dirigido por Antoine Fuqua. Com o sucesso do longa, eles adaptaram suas apresentações para contemplar as canções que aparecem na obra. "Todo mundo queria a era 'Bad', porque o Michael estava cantando 'Bad' no filme. O repertório teve que ser reinventado", explicou Gleidson.
Os covers também observaram uma mudança no perfil do público. Se antes os espectadores eram fãs engajados, agora crianças e pais que não viveram o auge do Rei do Pop comparecem aos shows. "O Michael é um artista que sempre cativou o público infantil, e agora com o filme percebo um aumento, tem ido muito mais crianças e adolescentes. O público do tributo está se expandindo", afirmou Teaser.
Opiniões divergentes sobre a qualidade do filme
Embora ambos concordem que o filme foi bem em apresentar um cantor além das polêmicas, eles discordam sobre a qualidade. "Eu gosto muito do filme, acho muito bacana como o longa coloca o Michael no lugar de celebração. Mas eu acho que o longa, por seguir uma fórmula que é a que a gente vive hoje, é superficial. Acho que a produção perde uma oportunidade de, de repente, mostrar certos traumas que ele viveu e que justificariam o adulto incompreendido que ele se tornou", disse Rodrigo Teaser.
Já Gleidson é mais otimista: "A gente que vive há 25 anos a história dele sabe quando o termômetro diz 'ih, não foi legal' e quando vai ser estrondoso. Sabíamos que ia ser um sucesso. Acho que vai concorrer ao Oscar no ano que vem. Não sei se vai dar tempo, mas acredito que vai concorrer em alguma categoria", comentou.



