Cobertura da Copa sem falar de futebol: o valor do conteúdo de entorno
Cobertura da Copa sem falar de futebol: o valor do entorno

Fui para a Copa do Mundo a trabalho, com meu pai, para fazer cobertura de conteúdo. Sou botafoguense, assim como ele, e o futebol sempre esteve presente na nossa relação. Isso ajuda a explicar por que também fez sentido eu estar ali.

Mas minha cobertura nunca foi a cobertura de jogo. Não fiz transmissão, não comentei escalação, não entrei no time de quem analisa tática ou resultado. O que fiz foi criar conteúdo dentro do entorno da Copa: a festa, a comoção, o clima de torcida, tudo que acontece ao redor do futebol, mas não é o jogo em si. Um conteúdo que dialoga com o tema, que usa o futebol como pano de fundo, sem depender de repertório técnico para fazer sentido. Foi esse o meu lugar dentro do 2026 Convocados, parceria entre a Play9 e a Globo.

O contexto da parceria Play9 e Globo

O projeto 2026 Convocados, que reúne criadores de conteúdo para cobrir a Copa do Mundo, buscou justamente explorar diferentes ângulos do maior evento esportivo do planeta. Enquanto alguns focaram na parte tática e nos resultados, outros — como eu — mergulharam na atmosfera que envolve as partidas. A Play9, conhecida por sua atuação no mercado de creators, e a Globo, gigante da comunicação, uniram forças para mostrar que a cobertura de um evento desse porte pode — e deve — ser multifacetada.

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A diferença entre comentarista e criador

Esse formato só funcionou porque as marcas que participaram entenderam a diferença entre me colocar como comentarista e me deixar ser o que eu já sou nas minhas redes. Não me pediram para produzir uma análise técnica sobre futebol; pediram um conteúdo que tivesse a Copa como contexto, com a linguagem que meu público já reconhece. A autora do texto destaca que essa distinção foi crucial para o sucesso da estratégia. Em vez de tentar encaixar um criador em um papel tradicional de jornalismo esportivo, as marcas respeitaram a essência do seu trabalho.

A validação pelo engajamento

O engajamento validou essa escolha: dava para estar dentro do tema principal sem competir com ele, e ainda reforçando toda a comoção em torno do evento. Os números de visualizações, comentários e compartilhamentos nas redes sociais mostraram que o público valoriza esse tipo de abordagem. Conteúdos que capturam a emoção dos torcedores, os bastidores das fan fests e a celebração da cultura local geram identificação imediata, algo que análises puramente técnicas muitas vezes não conseguem.

Oportunidades para marcas no entorno dos grandes eventos

O que fica desse projeto, tanto para mim quanto para o mercado, é que um grande evento como a Copa não se resume à cobertura oficial. Existe uma camada inteira de conteúdo ao redor dele, ligada à emoção, à festa, ao entorno, que também tem espaço e também gera resultado. As marcas que enxergam essa camada e constroem parcerias respeitando o formato de quem já fala com aquele público tendem a colher resultados mais consistentes.

Além disso, a tendência é que os próximos megaeventos — como as Olimpíadas e a própria Copa de 2026 — ampliem ainda mais esse ecossistema de conteúdo. Criadores que já possuem uma audiência engajada e uma linguagem própria se tornam ativos valiosos para marcas que buscam autenticidade e conexão real com o público. A lição principal é clara: não é preciso ser especialista em futebol para fazer sucesso durante a Copa; basta saber contar histórias que ressoem com as emoções de quem vive o evento.

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