Caso Bar se reinventa como 'amigo da vizinhança' na coquetelaria
Caso Bar: o 'amigo da vizinhança' da coquetelaria

Por Gilberto Amendola (especial para o Estadão) 05/06/2026 | 16h06

Olá, amigos. Todos bem? Vamos falar do Homem-Aranha! Uma teoriazinha que bateu aqui.

Vivemos um momento de redimensionamento no mundo dos bares e da coquetelaria. Movimento natural, claro. Primeiro, você vive o 'bum', a festa e o oba-oba. Depois, vem uma ressaquinha. Vem a necessidade de fazer contas, olhar o mercado e se reinventar. Não é ruim. É necessário. O bar que muda de endereço, ou diminuiu de tamanho, ou ainda promove mudanças em sua estrutura. É o bar que está fazendo a coisa certa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Mergulhei nestes pensamentos depois de uma visita ao Caso Bar. Um bar de que sempre gostei e que sempre esteve em minha rota etílica. Mas, apesar de estar entre os melhores da cidade, ainda era um bar para poucos. Os iniciados no mundo da coquetelaria, claro, conheciam o Caso, mas ainda faltavam bocas para beber e cotovelos para encostar em seu balcão.

Eis que, em uma terça-feira da semana retrasada, saí de um evento no alto de Pinheiros e me deixei rolar até o Caso. Queria tomar uma saideira, um último drinque antes de voltar para casa. Pensei, com meus botões etílicos, que teria pouca gente, umas duas ou três ovelhas desgarradas. O que encontrei quando cheguei foi uma casa 'positivamente' cheia, com um clima ótimo. Mesas de amigos, casais se conhecendo, gente no balcão, música boa e muito drinque saindo da barra. O que aconteceu no Caso Bar? Que chave virou ali?

Quem vai me ajudar a explicar é o 'Homem-Aranha'. Sim, o Homem-Aranha! Herói icônico dos quadrinhos e do cinema que também é conhecido como 'o amigo da vizinhança'. O que o Caso Bar fez foi assumir uma vocação que sempre esteve em seu DNA: ser um bar de bairro, o amigo da vizinhança.

Entendam, 'bar de bairro' não tem nada de depreciativo. Ao contrário, um bar de verdade precisa se conectar com os seus, precisa trazer conforto, ser reconhecível, aberto e amoroso. Precisa produzir aquela sensação de voltar para casa depois de uma longa viagem, precisa ser um lugar onde você vai encontrar sua turma e se sentir seguro. Um lugar em que você vai para se divertir, mas também para ficar na sua. Um lugar onde você pode passar horas sem gastar horrores.

Minha referência de 'bar de bairro' é o Baltra, bar mexicano que sempre aparece entre os 100 melhores do mundo e que tem todas as qualidades que evoquei aí em cima. No Baltra, tive minha melhor experiência etílica dos últimos anos. Certamente existem outros 'bares de bairro' incríveis pelo mundo, mas aquele que me vem ao copo é mesmo o Baltra.

Neste novo Caso... Não exatamente novo... Melhor dizendo, no Caso que assumiu sua vocação, você vai encontrar um simpático piano que, em vez de causar estranhamento ou emprestar um certo ar pernóstico, traz um quê de festa em família, de 'senta aqui e vamos cantar um pouco', ou 'escuta essa música que eu aprendi'. Neste novo Caso, você vai encontrar boas comidinhas saindo da cozinha. Neste novo Caso, você vai encontrar minicoquetéis, que estão em alta no mundo todo e que se mostram tão eficientes, em termos de moderação de consumo, quanto os drinques de baixo teor alcoólico ou sem álcool. Neste novo Caso, você tem o Lukett, chefe de bar que sabe conduzir a barra e ainda manda muito bem nos discos de vinil. E, neste novo Caso, você tem uma carta de coquetéis 'super esperta' e 'amiga da vizinhança' desenvolvida pela dupla Danilo Nakamura (Sucrilhos) e Renan Scussel, que já vem se destacando em outras cartas pela cidade.

Aqui, Danilo e Renan conseguiram criar coquetéis dentro de uma faixa de preço confortável (para o universo da alta coquetelaria): de R$ 29 a R$ 46. O menu é dividido em duas partes: 'Frescos & Uppers' e 'Piano Bar'. Na primeira, coquetéis para abrir a noite, mais frescos e elétricos. Ainda quero experimentar o 'Cynar Nosso de Cada Dia' (R$ 29) — Cynar, cachaça, vermute seco, hortelã, limão e clara. Também preciso voltar para experimentar o Café Au Lait (R$ 39) — vodca, conhaque, café coado, licor de café, vinho madeira e espuma de leite clarificado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Na segunda parte do menu estão os drinques que puxam mais para os clássicos, são, digamos, mais sóbrios. Drinques que se encaixam perfeitamente no conceito de 'Piano Bar'. Aqui, experimentei dois bem classudos: o Tangerine (R$ 46) — tequila, casca de tangerina, limão taiti, jerez oloroso, uísque defumado e pimenta do reino — e o Chelsea Martini #2 (R$ 39) — gim, vernute de caju e bitter de laranja. Ainda nesta parte do menu, preciso voltar para experimentar o Perfect Reverse Blackberry Manhattan (R$ 43) — bourbon, amora, vermute seco, amaro Averna, bitters. É isso! Por mais amigos da vizinhança!

Boletim — TIM

Coupe 1

A brasileira Nib Bebidas e a italiana Fabbri 1905 acabam de lançar o Nib Bitter Amarena Fabbri: o primeiro bitter do mundo produzido oficialmente com a Amarena Fabbri original, um dos ingredientes mais icônicos da história dos bares. O lançamento também marca o início do 'The New Classic Bitter Tour 2026', projeto itinerante que vai percorrer cidades do Brasil e da América do Sul com experiências, degustações, aulas e encontros voltados à nova geração da coquetelaria clássica.

Coupe 2

Alerta de festa! O aniversário de 4 anos do Trinca acontece neste domingo, dia 7, das 14h às 21h. Entre os convidados estão: Kyoko, Saulo, Italo, Rafa Camara e muitos outros nomes da coquetelaria. O Trinca fica na Rua Costa Carvalho, 96.

Coupe 3

O Kotchi transmitirá jogos da Copa do Mundo e terá uma carta especial de drinques assinada por Inés de Los Santos e Marlon Silva. A casa vai abrigar um telão de alta definição e retrátil, em parceria com a The House of Suntory, que entram também como apoiadores da exclusiva carta de drinques autorais. Na Rua Padre João Manuel, 1231, Jardins.

Coupe 4

Ainda no Kotchi: No Dia dos Namorados (dia 12), o Kotchi terá um cardápio especial assinado por Kuwa e a mixologista argentina Inés de Los Santos. Para a ocasião, os namorados podem escolher uma entrada, um prato principal e uma sobremesa pelo valor de R$ 280 por pessoa (taxa de serviço de 13% não inclusa). Dentre as opções, estão o bluefin crispy rice (akami, aioli spicy, crispy rice, nori coreano e chili oil), o steak wagyu (steak de wagyu com molho sichuan poivre, aioli ao noti, batatas bravas e farofa de cogumelos e shissô) e o chocoyuzu (bolo de chocolate, pudim de chocolate amargo, mousse de chocolate branco com yuzu e crumble de chocolate branco e gengibre). Para acompanhar o cardápio escolhido, os namorados podem ainda pedir sugestões de harmonização com os drinques da casa. Na Rua Padre João Manuel, 1231, Jardins.

Coupe 5

No dia 12, o Fel apresenta pela primeira vez um menu em três etapas harmonizado com coquetéis da carta (R$ 538 por casal). Há também a opção sem a parte alcoólica por R$ 236 para duas pessoas. Ed. Copan — Avenida Ipiranga, 200, loja 69.

Coupe 6

O Paloma desenvolveu dois menus de 5 tempos para o Dia dos Namorados, sendo um deles inteiramente vegano. A etapa principal pode ser o short rack de cordeiro com abobrinha amarela, uva-passa e gremolata de ervas frescas ou, na versão sem ingredientes animais, rigatoni com alcachofra, abobrinha amarela, limão-siciliano e menta. A experiência custa R$ 340 por casal ou R$ 650 incluindo harmonização de vinhos completa. As reservas podem ser feitas às 19h ou 21h pela DM do perfil @paloma__sp. Av. Ipiranga, 200, Centro Histórico de São Paulo.

Coupe 7

O Atlântico 212 vai transmitir todos os jogos da Copa do Mundo. O bar de ostras e braseiro comandado pelo chef Stefan Weitbrecht, na última esquina da Rua dos Pinheiros, exibirá todas as partidas do torneio, e nos dias em que o Brasil entrar em campo, o chopp Brahma sai em dose dupla por apenas R$ 16. Além disso, a bartender Vera El Id criou a 'Seleção do Hexa': uma carta exclusiva de seis mini drinks (70 ml) que são releituras abrasileiradas de coquetéis clássicos, todos preparados com cachaça branca ou envelhecida. Os nomes são parte da brincadeira: o Bitter Giuseppe virou o Zé Amargo (R$ 18); o Fitzgerald se transformou no Fí d'Geraldinho (R$ 20) — para ser lido com sotaque mineiro; a Margarita ganhou o nome de Margarete (R$ 20); e o Mark Twain ficou Marcos Toinho (R$ 22). A carta ainda traz o Rabinho de Galo (R$ 22), versão compacta do clássico nacional, e o Bati Côco (R$ 24), uma batida de coco com vodka e xarope de coco queimado que foge do trivial ao dispensar o leite condensado. Rua dos Pinheiros, 70 — Pinheiros.