Caio Bonfim, atual vice-campeão olímpico e campeão mundial da marcha atlética, deixou claro que sua carreira está longe do fim. Aos 35 anos, ele venceu a meia maratona da marcha atlética no Ibirapuera, em São Paulo, estabelecendo novo recorde sul-americano. Em entrevista, Bonfim afirmou que sua missão só será cumprida quando houver mais marchadores campeões no Brasil.
Preparação para Los Angeles 2028
“Eu estou conectado com o que posso fazer agora, com os tempos que a gente tem feito em treino, me conectando principalmente para Los Angeles. Se eu ligar esse botão aí, eu posso perder em performance. Que o auge seja sempre o próximo ano”, declarou o atleta. A meta é clara: chegar em 2028 em melhor forma do que nunca.
Bonfim já soma conquistas expressivas. No ano passado, em Tóquio, abriu o Mundial com a prata nos 35 km e, uma semana depois, venceu os 20 km – o ouro que o tornou o maior medalhista individual do Brasil em mundiais de atletismo. Antes, em Paris 2024, conquistou a prata nos 20 km da marcha atlética.
Importância do Troféu Brasil e memória afetiva
O Troféu Brasil, principal competição nacional, voltou a ser disputado no Estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, palco que não recebia a prova desde 2014. Para Bonfim, o local tem significado especial: “Minha primeira prova de pista foi no Ibirapuera. Eu comecei em 2007, fui campeão Sub-18 daquele ano no Ibirapuera, faz parte desse imaginário”. O atleta compara a competição ao Brasileirão do futebol, esporte que seu filho tanto gosta.
Foi na mesma pista que sua mãe, Gianetti Sena Bonfim, brilhou. Oito vezes campeã brasileira da marcha, ela era treinada pelo pai de Caio. “Foi mais fácil”, respondeu Bonfim ao ser questionado se crescer em uma família ligada ao esporte facilitou sua trajetória. Ele revelou que queria ser jogador de futebol, mas foi o pai, João Sena, quem o matriculou em sua primeira competição aos dez anos.
Diagnóstico do atletismo brasileiro
Bonfim defende o investimento na formação de jovens desde cedo para que novos talentos apareçam com frequência. “Nas férias, o que chega de escolinha de handebol, basquete, atletismo, futsal, de tudo. Todo dia, 300 meninos chegando naquele lugar (onde ele treina na Espanha), vivenciando aquilo. Então, eu falo: ‘Cara, vai ser difícil a gente acompanhar isso’”, afirmou.
O atleta destaca a necessidade de “sistematizar” e criar “cultura” esportiva no Brasil. Apesar das melhorias nas condições oferecidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro e confederações, ainda falta estrutura de base. Bonfim acredita que o país precisa apostar na formação contínua para não depender de estrelas isoladas.
Preconceito e superação
A marcha atlética ainda sofre preconceito no Brasil, muitas vezes ridicularizada como “rebolado”. Bonfim já foi alvo de xingamentos nas ruas, mas não deixa que isso ofusque sua trajetória brilhante. Ele mira Los Angeles 2028, mesma cidade que consagrou Joaquim Cruz, campeão olímpico dos 800 metros em 1984. Para Bonfim, o próximo capítulo está por ser escrito.



