As plataformas de mercado de previsões, que permitem apostar em resultados de eventos futuros, estão vivendo um boom durante a Copa do Mundo de 2026. O volume total de apostas relacionadas ao torneio atingiu R$ 2,3 bilhões até o momento, um aumento de 40% em relação ao mesmo período da Copa de 2022, segundo dados da Polymarket, uma das principais plataformas do setor.
Recorde de movimentação financeira
O crescimento expressivo reflete a popularidade crescente desses mercados, que funcionam de forma semelhante a bolsas de valores, onde os usuários compram e vendem contratos sobre a probabilidade de eventos. No caso da Copa do Mundo, as apostas vão desde o vencedor de cada partida até o artilheiro do torneio e o país campeão.
De acordo com a Polymarket, o Brasil é o país com maior volume de apostas, respondendo por 35% do total. “O interesse dos brasileiros é impressionante. Eles são os usuários mais ativos e movimentam valores significativos”, afirmou o CEO da Polymarket, Shayne Coplan, em entrevista ao Valor.
Funcionamento dos mercados de previsões
Os mercados de previsões operam com contratos que pagam R$ 1 se o evento ocorrer e R$ 0 caso contrário. O preço do contrato reflete a probabilidade implícita. Por exemplo, se um contrato para o Brasil vencer a Copa custa R$ 0,40, isso indica uma chance de 40% de vitória. Diferentemente das casas de apostas tradicionais, os usuários podem negociar esses contratos entre si até a liquidação.
“Esse modelo permite que os participantes especulem não apenas sobre o resultado final, mas também sobre mudanças nas probabilidades ao longo do torneio”, explica Coplan. “É uma forma de investimento baseada em informação.”
Impacto regulatório e desafios
O crescimento do setor tem chamado a atenção de reguladores. No Brasil, as apostas esportivas foram legalizadas em 2023, mas os mercados de previsões ainda operam em uma zona cinzenta. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda estuda incluir essas plataformas na regulamentação, conforme informou o secretário José Francisco Manssur.
“Estamos avaliando o impacto desses mercados e como eles se encaixam no marco regulatório. A transparência e a integridade são fundamentais”, disse Manssur. Enquanto isso, plataformas como a Polymarket continuam operando com sede no exterior, mas com forte presença de usuários brasileiros.
Perspectivas futuras
Analistas preveem que o volume de apostas em mercados de previsões deve continuar crescendo, impulsionado por eventos esportivos e políticos. “A Copa do Mundo é apenas o começo. Vemos potencial para esses mercados se expandirem para eleições, premiações e até mesmo resultados econômicos”, projeta Coplan.
Com a final da Copa se aproximando, a expectativa é que o recorde de R$ 2,3 bilhões seja superado. A partida decisiva, que ocorrerá em 19 de julho, deve concentrar o maior volume de apostas da história do mercado de previsões.



