Setor calçadista em alerta com possível tarifa de 25% dos EUA
Alerta no setor calçadista com tarifa de 25% dos EUA

A indústria calçadista brasileira está em estado de alerta diante da possibilidade de os Estados Unidos imporem uma tarifa de 25% sobre os calçados importados do Brasil. A medida, que ainda está em discussão no governo americano, pode representar um duro golpe para um setor que já enfrenta desafios com a concorrência asiática e a volatilidade cambial.

Impacto nas exportações

Segundo análises preliminares, a tarifa de 25% poderia reduzir significativamente as exportações brasileiras de calçados para os EUA, que atualmente representam cerca de 15% do total embarcado pelo setor. Empresas do Rio Grande do Sul, São Paulo e Ceará, principais polos calçadistas, seriam as mais afetadas.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor emprega diretamente mais de 300 mil trabalhadores e, indiretamente, cerca de 1 milhão de pessoas. Uma retração nas vendas para os EUA poderia levar a demissões e fechamento de fábricas.

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Reação do setor

Entidades do setor já se mobilizam para tentar reverter a medida. A Abicalçados planeja uma missão a Washington para dialogar com autoridades americanas e apresentar dados que mostrem a importância do comércio bilateral. “Vamos mostrar que os calçados brasileiros não competem diretamente com a indústria local, mas sim com produtos de países como China e Vietnã”, afirmou o presidente da entidade.

Além disso, o setor busca alternativas como a diversificação de mercados. Países da América Latina, Europa e Oriente Médio são vistos como destinos potenciais para compensar eventuais perdas nos EUA.

Negociações comerciais

O governo brasileiro também acompanha com atenção o caso. O Ministério das Relações Exteriores informou que está em contato com o governo americano para tentar evitar a imposição da tarifa. “Defendemos o livre comércio e acreditamos que medidas protecionistas prejudicam ambas as partes”, disse um porta-voz do Itamaraty.

Especialistas apontam que a tarifa de 25% seria uma das mais altas já aplicadas pelos EUA a um produto brasileiro, superando até mesmo as taxas sobre o aço. Caso seja confirmada, a medida pode gerar um contencioso na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Efeitos na economia

O setor calçadista representa cerca de 1% do PIB industrial brasileiro. Uma queda nas exportações para os EUA poderia impactar negativamente a balança comercial e o crescimento econômico do país. A indústria também sofre com a alta do dólar, que encarece insumos importados, e com a concorrência de produtos chineses.

Empresários do setor pedem medidas de apoio do governo, como linhas de crédito especiais e desoneração tributária, para enfrentar a crise. “Precisamos de condições para competir em igualdade com os concorrentes internacionais”, destacou um representante do Sindicato da Indústria de Calçados de São Paulo.

Perspectivas

A decisão final sobre a tarifa deve sair nas próximas semanas. Enquanto isso, o setor se prepara para o pior cenário, mas mantém esperanças de que o diálogo possa evitar a medida. A expectativa é que, mesmo com a tarifa, o mercado americano continue sendo relevante, mas com margens reduzidas.

A indústria calçadista brasileira já passou por crises semelhantes no passado e conseguiu se recuperar. No entanto, o momento atual é de incertezas, com a economia global desacelerando e a concorrência acirrada. O setor espera que a tarifa não seja confirmada, mas já traça planos de contingência para minimizar os danos.

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