Marcello Bahia faz mergulho livre recorde de 51 metros em Noronha
Mergulho livre de 51 metros em naufrágio de Noronha

O atleta Marcello Cardoso, conhecido como Marcello Bahia, realizou um mergulho livre de 51 metros de profundidade no naufrágio da Corveta Ipiranga, em Fernando de Noronha, neste domingo (26). A descida em apneia, sem uso de cilindro de ar, é considerada um desafio e não havia registros de um mergulho semelhante no local havia mais de 20 anos. Marcello levou 1 minuto e 40 segundos para completar a descida e a subida sem respirar, utilizando um cabo-guia. A correnteza tornou a operação mais difícil, mas o atleta conseguiu concluir o feito.

Um resgate da tradição do mergulho livre

Segundo Marcello Bahia, o mergulho também foi uma forma de valorizar a tradição do mergulho livre em Fernando de Noronha e homenagear antigos moradores conhecidos pelas descidas em grandes profundidades. "A minha ideia é resgatar o mergulho livre, esporte que deu fama a nomes como Júlio Grande e Biu Guarda. Eles são lembrados na ilha pela habilidade como mergulhadores, mas, com o tempo, o mergulho livre acabou ficando esquecido", afirmou. O último mergulho livre registrado no mesmo local foi feito por Karol Meyer, recordista mundial na categoria, há mais de duas décadas.

Desafio técnico e condições adversas

O atleta explicou que a correnteza influenciou a escolha do ponto de mergulho. "Não é nada comum. A última pessoa que mergulhou lá foi Karol Meyer, há mais de 20 anos. O meu mergulho foi a 51 metros de profundidade. A correnteza deixou a corda exatamente em cima do navio naufragado, e achamos que essa seria a melhor imagem. Por isso, optamos por não ir mais fundo", contou Marcello Bahia. O feito exigiu preparo físico e mental, além de equipamento específico como o cabo-guia e roupas de neoprene.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Campeão brasileiro de apneia

Em 2024, Marcello Bahia, que mora em Noronha, conquistou o título de campeão brasileiro de apneia na categoria estática, em uma competição realizada em Belém (PA). Na prova, ele permaneceu 6 minutos e 25 segundos sem respirar. O atleta afirmou que o mergulho na Corveta Ipiranga representou uma realização pessoal. "Esse mergulho tem um significado muito especial para mim. Além de ser um dos pontos de mergulho mais profundos da ilha, é um dos mais bonitos do mundo", disse.

História da Corveta Ipiranga

A Corveta Ipiranga (V-17) é um dos naufrágios mais conhecidos do Brasil e um dos pontos de mergulho mais procurados de Fernando de Noronha. O navio da Marinha do Brasil afundou em 1983, próximo à Ponta da Sapata. A embarcação afundou após atingir um cabeço, uma formação rochosa submersa que quase chega à superfície e não aparecia nas cartas náuticas utilizadas pela tripulação na época. O naufrágio fica a cerca de 30 metros de profundidade, mas a estrutura permite mergulhos até 51 metros, como o realizado por Marcello. O local é conhecido pela abundância de vida marinha, incluindo tartarugas, tubarões e cardumes coloridos.

Impacto e reconhecimento

O mergulho de Marcello Bahia não apenas quebrou um hiato de duas décadas, mas também chamou a atenção para a modalidade em Fernando de Noronha. A ilha, que já foi berço de grandes mergulhadores livres, vê no atleta uma nova referência. "A minha ideia é resgatar o mergulho livre, esporte que deu fama a nomes como Júlio Grande e Biu Guarda", repetiu o atleta, ressaltando a importância de manter viva essa tradição. O feito foi registrado pelos cinegrafistas Rafael Navarro e Mariano Correa, que acompanharam a descida.

Com o título de campeão brasileiro e agora este mergulho recorde, Marcello Bahia solidifica sua posição no cenário nacional de apneia. Para os moradores de Noronha, ele se torna um símbolo de superação e amor pelo mar, inspirando futuras gerações a explorar os limites do corpo humano em harmonia com o oceano.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar