Há exatas duas décadas, a calmaria da pacata comuna de Weggis, no interior da Suíça, foi interrompida pela badalada preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2006. O que era para ser um período de concentração e treinos acabou se tornando um símbolo do fracasso da campanha do Brasil naquele torneio. Agora, 20 anos depois, moradores locais relembram os dias de caos e superexposição que marcaram a cidade.
A chegada da seleção e o impacto na rotina local
Em 2006, a seleção brasileira desembarcou em Weggis com todo o glamour e expectativa de um pentacampeonato. No entanto, a presença da equipe trouxe uma série de transtornos para os moradores. A pacata rotina foi substituída por hordas de jornalistas, fãs e seguranças. As ruas estreitas ficaram congestionadas, e o sossego típico da região deu lugar a um burburinho constante.
Alice e Alfred Stöck, um casal de agricultores que vive em uma fazenda nos arredores de Weggis, foram alguns dos mais afetados. Eles contam que, para evitar que o odor dos animais atrapalhasse os treinos da seleção, precisaram esconder cerca de 300 porcos em um galpão fechado durante todo o período de preparação. “Foi um trabalho enorme. Tivemos que mudar toda a rotina da fazenda para não incomodar os jogadores”, lembra Alfred.
A superexposição e o legado de caos
A preparação do Brasil em Weggis ficou conhecida não pelos treinos intensos, mas pelo excesso de badalação e pela falta de foco. Jogadores eram vistos frequentemente em eventos sociais, e a imprensa registrava cada passo da delegação. O clima de festa contrastava com a seriedade necessária para uma competição de alto nível. O resultado foi uma eliminação precoce nas quartas de final para a França, que gerou duras críticas à comissão técnica e aos atletas.
Para os moradores de Weggis, a passagem da seleção deixou memórias mistas. “Foi emocionante ver os craques de perto, mas também foi um período muito cansativo. A cidade não estava preparada para tamanha exposição”, afirma Alice. Hoje, a cidade voltou à sua tranquilidade habitual, e os porcos dos Stöck podem circular livremente novamente.
O que mudou em 20 anos?
Duas décadas depois, Weggis é uma lembrança tranquila daqueles dias agitados. A comuna segue sendo um destino turístico pacato, mas a história da passagem da seleção brasileira ainda é contada pelos moradores mais antigos. Para a CBF, o episódio serviu como lição sobre a importância de uma preparação mais discreta e focada. Já para Alice e Alfred, o episódio rende boas histórias para contar aos netos. “Sempre que alguém pergunta sobre a seleção, lembramos dos porcos escondidos. Foi uma loucura, mas hoje dá até saudade”, conclui o casal.



