Série do JN destaca a raça do jogador brasileiro; veja relatos
Série do JN destaca a raça do jogador brasileiro

Série do Jornal Nacional exalta a essência do jogador brasileiro; hoje o tema foi Raça

O Jornal Nacional exibe, esta semana, uma série especial sobre as virtudes que fazem da Seleção a única pentacampeã do mundo. Nesta terça-feira (2), o tema abordado foi a raça — a garra do jogador brasileiro que nunca desiste. O gol e o registro que vão além da emoção, o instante que eterniza um sentimento, um conceito.

“Grinta é o jogador que nunca para, sempre trabalha, sempre está preparado em todos os momentos”, afirma Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira. Para o italiano, “grinta”. Para o futebol brasileiro, traduções e tradições.

“A sede, a fome de ganhar títulos. É aquele desejo de não perder nenhuma jogada. Quando você tem uma oportunidade na vida, você tem que lutar por ela. O peso da responsabilidade de estar representando o Brasil, saber o quanto o brasileiro é fanático por futebol, nas ruas, eu era quando criança”, diz Lúcio, campeão do mundo em 2002.

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Raça em campo: exemplos de liderança e dedicação

Entre tantas palavras que podem definir essa dedicação, persistência e esforço, o futebol brasileiro elegeu uma das qualidades mais admiradas pelo torcedor, que espera se ver representado em campo. Lúcio, com 105 jogos oficiais pela seleção principal e capitão em quase metade deles — incluindo a Copa de 2010 —, participou de três Mundiais e foi campeão em 2002. Jamais confundiu raça com violência: ficou 386 minutos sem cometer uma falta sequer na Copa de 2006. Foi líder, exemplo.

“Para mim, cada jogo, cada treino na Seleção Brasileira era como se fosse o primeiro”, conta Lúcio.

Mas, se muitos se espelharam nele, Lúcio também teve um modelo. “O principal foi o Dunga”, conta. A vibração e o desabafo eternizados em uma só imagem. “Dunga era um líder nato. Sabe aquele cara que chegava e você respeitava? O cara impunha respeito”, diz Romário, campeão do mundo em 1994. Para cada gol de Romário ou Bebeto, houve um desarme, uma bola recuperada, o sacrifício. “Dunga foi para três Copas e mostrou a sua capacidade”, afirma Ricardo Rocha, campeão do mundo em 1994.

Quem é a cara da raça na atual seleção?

Liderança, espírito de grupo, vontade, disposição: características que, unidas em um só jogador, podem fazer dele um ponto de equilíbrio de uma equipe vencedora. No grupo que vai lutar pelo hexa, quem seria a cara da raça em campo? “Casemiro. Não tem bola perdida. Cachorro doido mesmo. Vai e disputa todas as bolas”, diz Bruno Guimarães. “A cada jogo e a cada bola que ele vai lutar, ele demostra que ele é, realmente, esse jogador importante para a gente”, afirma Marquinhos, zagueiro da Seleção.

Com a palavra, então, Casemiro: “Vai ter dia que não vai estar bem tecnicamente. Mas a entrega dentro de campo ninguém vai me superar, cara. Ninguém me supera”, afirma o meio-campo da Seleção. Em um ciclo virtuoso de entrega, o símbolo para a geração 2026 também elege os seus raçudos favoritos. “Raça, eu lembro de Dunga. Tinha raça total. Gilberto Silva, Mauro Silva, Lúcio”, diz Casemiro.

Revendo, revivendo tempos em que jogava duro, sem perder a ternura. “Assistindo àquelas partidas novamente, sentindo aquela emoção, às vezes fico meio sem graça. Falo: ‘Meu Deus, o cara está louco, pegando, marcando, vibrando’. O time precisa muito dessa raça, dessa marcação, de não desistir. Uma bola dessas que o time ganha é o resultado que sai o gol”, afirma Lúcio.

O futebol brasileiro e a raça como essência

O futebol traz na essência o jogo coletivo, mas adora exaltar feitos individuais. Muitas conquistas em grupo acabam personificadas em um herói. Sorte a nossa que o Brasil foi capaz de produzir todas as qualidades de milhares de jogadores reunidas em uma só pessoa. Nunca faltou ao maior camisa dez de todos os tempos. Tentar parar Pelé, muitos tentaram. O craque caiu, sofreu com faltas violentas — e também revidou — e soube, ao longo da carreira, conjugar perfeitamente inspiração e transpiração. O Rei mostrou ao mundo que, para o brasileiro, jogar com raça, no fundo, sempre foi jogar com o coração.

Nesta quarta-feira (3), o tema será ousadia. Momentos históricos em que a Seleção precisou ir contra o senso comum para vencer.

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