O Dia Mundial do Rock, celebrado nesta segunda-feira (13), destaca o estilo musical que nasceu nos Estados Unidos entre os anos 1940 e 1950 e conquistou o mundo. No Amapá, bandas autorais como Várzea e Índ'go mantêm viva a tradição com músicas próprias e shows independentes, refletindo vivências locais e experiências pessoais. Apesar da falta de estrutura e espaços adequados, os artistas seguem produzindo, organizando eventos e conquistando público.
Várzea: rock visceral com lama preta
Com menos de um ano de carreira e cinco músicas próprias, a banda Várzea já recebe do público a pergunta: “quando saem novas músicas?”. A banda surgiu em agosto de 2025 a partir de uma ideia do guitarrista Wendril Araújo, que reuniu músicos experientes da cena amapaense para investir em um trabalho autoral. A formação conta com a baixista Sandra Borges, o vocalista El dos Anjos e o baterista Arthur Barbosa.
O nome Várzea nasceu durante uma conversa entre os músicos, inspirado nas áreas de ressaca de Santana, município onde três dos quatro integrantes cresceram. A banda define seu estilo como "rock visceral com lama preta". "Nossa proposta era fazer um som mais cru, mais underground. O nome casou com essa ideia e virou parte do conceito da banda. É uma referência ao nosso município e a algo que vemos todos os dias na nossa realidade", conta o baterista Arthur Barbosa.
As letras da Várzea abordam cotidiano urbano, conflitos sociais e juventude. "Ainda não temos nem um ano de banda e nosso repertório só tem cinco músicas até agora, mas já tem pessoas perguntando quando vão sair mais. A gente se apresenta e percebe eles curtindo o som. Isso mostra que estamos no caminho certo, dá um gás para continuar", diz Arthur.
O retorno do público indica mudanças na cena, mas ainda há dificuldades para encontrar locais que valorizem músicas autorais. Segundo Wendril, muitas bandas continuam presas aos covers. "Vemos muitos locais com datas especiais dedicadas ao Nirvana ou Guns N' Roses, mas não vemos muito espaço para banda autoral. Então é mais difícil para a galera independente, mas a gente segue fazendo música e tocando nos eventos, nos coletivos e nos bares focados no nosso público", afirma Wendril.
Índ'go: rock alternativo com alma amazônica
A Índ'go estreou em 2016 após o fim da banda Sistema Urbano 18. Os integrantes decidiram seguir um novo caminho, trocar o nome e concentrar o projeto em músicas autorais, marcando uma nova fase com composições próprias e identidade ligada ao rock alternativo e indie rock. A formação atual tem Caio César no vocal, João Djalma no baixo, Iann de Magalhães na bateria e Bayron Jardim na guitarra.
A banda mistura influências do rock alternativo e indie rock com elementos da cultura amazônica, como marabaixo, batuque e brega. "A gente traz as nossas vivências urbanas regionais. Tem o sotaque cantando, tem referências rápidas aos ritmos daqui. Tudo isso molda o nosso som", explica Caio César.
Após anos de trajetória, o vocalista reconhece que fazer rock autoral no Amapá continua sendo um desafio. O público ficou mais segmentado, os espaços para ensaio diminuíram e muitos bares mantêm cachês abaixo do mercado. "O lance é resistir, tocar sempre que conseguir, ter nosso próprio nicho, divulgar e continuar se divertindo. Acima de tudo, o rock é sobre diversão, contar histórias, angústias, falar de amor, criticar algumas coisas e mostrar o universo que é cada ser humano", diz Caio.
Para Caio, a força da cena independente vem da dedicação dos artistas. "A cena daqui talvez não tenha a estrutura dos grandes centros, mas justamente por isso ela acaba sendo muito verdadeira. As bandas fazem shows porque acreditam no que criam, dividem equipamentos, músicos quando necessário, organizam os próprios eventos e constroem um público fiel aos poucos."



