O confronto entre Argentina e Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, que eternizou Diego Maradona com os gols do 'Pibe de Oro' e da 'Mão de Deus', também criou um personagem inesquecível nas arquibancadas do Estádio Azteca: Raúl Gámez. Conhecido como 'Pistola', ele ficou famoso por uma foto em que aparece brigando com torcedores ingleses durante a partida. Anos depois, Gámez rejeitou o rótulo de herói e se tornou dirigente do Vélez Sarsfield, clube pelo qual conquistou a Copa Libertadores da América.
A briga que virou símbolo
Em 22 de junho de 1986, durante o jogo das quartas de final entre Argentina e Inglaterra, uma confusão generalizada tomou conta das arquibancadas. A imagem de Raúl Gámez, então com 28 anos, trocando socos com ingleses foi capturada por fotógrafos e rapidamente se tornou um símbolo da rivalidade entre os dois países, intensificada pela Guerra das Malvinas (1982). A foto ganhou as páginas dos jornais e, décadas depois, foi transformada em um mural perto do estádio do Vélez Sarsfield, em Buenos Aires.
De torcedor a dirigente vitorioso
Após a fama repentina, Gámez se envolveu com a diretoria do Vélez, clube do qual era torcedor desde criança. Ele ocupou cargos administrativos e, em 2024, estava na gestão que levou o time à conquista da Copa Libertadores, um dos títulos mais importantes da história do clube. Apesar de ser tratado como herói por muitos argentinos, Gámez faz questão de recusar o título. "Heróis são os soldados que lutaram nas Malvinas", disse ele em entrevista recente, segundo a imprensa local.
Legado e memória
A trajetória de Raúl Gámez ilustra como um momento de tensão em um estádio pode se transformar em um legado duradouro. Para os torcedores do Vélez, ele é um símbolo de paixão e dedicação. Para o futebol argentino, sua história representa a interseção entre esporte, política e memória coletiva. A foto de 1986 continua sendo reproduzida em camisetas e murais, mantendo viva a lembrança de um episódio que transcendeu o campo.



