Em uma análise que vai além do óbvio, o colunista Thales Machado, da coluna Que Jogo É Esse, propõe uma reflexão sobre o que realmente deveria ser invejado na Argentina. Não se trata de Lionel Messi, de mais uma taça ou do futebol encantador. O que realmente impressiona é a forma como os argentinos aprenderam a lidar com a derrota e, agora, com a vitória.
A jornada emocional argentina
A Argentina conquistou a Copa do Mundo de 2022, mas o caminho até lá foi marcado por décadas de frustrações. Mesmo assim, a torcida manteve um vínculo afetivo forte com a seleção, celebrando cada passo, cada jogo, cada gol. A capacidade de desfrutar a trajetória, independentemente do resultado final, é algo que o Brasil parece ter perdido.
Enquanto os argentinos aprenderam a valorizar o processo, o Brasil vive sob a constante pressão de vencer. O passado glorioso, com cinco títulos mundiais, tornou-se um fardo. Cada derrota é tratada como uma tragédia nacional, e cada vitória, uma obrigação. A serenidade com que os argentinos celebram suas conquistas recentes contrasta com a ansiedade brasileira.
O peso da história
No Brasil, a obrigação de vencer transforma o futebol em um campo de batalha onde só o resultado importa. A torcida brasileira, acostumada a triunfos, não tolera fracassos. Em contrapartida, os argentinos, após anos sem títulos, construíram uma relação de amor incondicional com sua seleção. Eles aprenderam a perder sem perder a paixão, e agora, ao vencer, desfrutam com uma leveza que falta ao Brasil.
A lição que fica é que o futebol não é apenas sobre vencer, mas sobre a jornada. Os argentinos entenderam isso, e o Brasil ainda precisa aprender.



