Na véspera de Argentina x Suíça, perguntaram a Lionel Scaloni qual era o segredo para Messi, aos 39 anos, ainda jogar “como um menino”. “Ele corre certo”, respondeu o treinador argentino, referindo-se ao fato de que a experiência deu ao camisa 10 o conhecimento para dosar os esforços e se desgastar apenas quando necessário.
Atuação decisiva contra a Suíça
Na vitória por 3 a 1 sobre a Suíça, neste sábado, 11, em Kansas City, que colocou a Argentina em sua terceira semifinal de Copa do Mundo nas últimas quatro edições, Messi voltou a correr certo. Não brilhou como em outras partidas deste Mundial, mas foi em uma cobrança de escanteio sua que Mac Allister abriu o placar para os argentinos.
“Os companheiros o escolheram como capitão porque ele entrega tudo. É uma máquina. Pode criar e decidir partidas. A mim não surpreende a evolução dele. Quem não o conhece pode pensar que, aos 39 anos, ele já não estaria nesse nível. Eu penso diferente porque sou treinador e acompanho isso de perto. Talvez, com 50 anos, ainda faça coisas que hoje não imaginamos”, afirmou Scaloni.
Recordes e estatísticas impressionantes
Messi não se cansa de quebrar recordes nesta Copa do Mundo. Neste sábado, alcançou outra marca impressionante: tornou-se o primeiro jogador a disputar 15 partidas de mata-mata em Mundiais. A lista de feitos inclui ainda o recorde de gols (21), de vitórias (22), o posto de jogador mais velho a marcar três gols em uma mesma partida de Copa do Mundo, aos 38 anos e 357 dias, e o de atleta com mais edições disputadas (seis), ao lado de Cristiano Ronaldo e Ochoa.
“Conversamos muitas vezes sobre isso com a comissão técnica. É difícil explicar. Não me surpreende tudo o que ele faz. Vai chegar o momento em que ele vai parar, mas que seja o mais tarde possível”, disse Scaloni.
Reação da torcida e liderança em campo
No estádio, sempre que Messi toca na bola, surge um frisson entre os torcedores argentinos, como se algo importante estivesse prestes a acontecer. Depois do empate da Suíça, marcado por Ndoye, o camisa 10 passou a recuar mais para buscar o jogo. A cada chance desperdiçada — sobretudo porque a Argentina atuou boa parte do segundo tempo e toda a prorrogação com um jogador a mais, após a expulsão de Embolo, balançava a cabeça em sinal de frustração. Ainda assim, sua participação foi decisiva para que Julián Álvarez e, depois, Lautaro Martínez marcassem os gols da classificação.
“Somos um time que corre até o final, que nunca desiste. Isso é muito importante quando se disputa uma Copa do Mundo”, afirmou o capitão argentino.
Preparação física e profissionalismo
Para manter o alto nível físico aos 39 anos, Messi segue um programa especial de preparação. Além do trabalho desenvolvido pela comissão técnica de Scaloni, comandada pelo preparador físico Luis Martín, ele conta com uma equipe particular, que também o orienta durante a Copa do Mundo.
“O Leo é incrivelmente profissional, controla o próprio corpo como ninguém. É muito inteligente e sabe exatamente como se preservar. É por isso que consegue jogar em alto nível por tanto tempo. Ele chega à academia 40 minutos antes de todo mundo. É uma máquina. Com essas atitudes, dá o exemplo para os companheiros. Se o melhor do mundo chega 40 minutos antes, alguém já tem que estar lá”, disse Martín, em entrevista ao Diário Olé.
Episódio revelador da postura de Messi
Na mesma conversa, o preparador físico contou um episódio curioso para ilustrar a postura de Messi diante do grupo.
“Fizemos uma brincadeira: quem perdesse teria que fazer flexões. Ele não sabia exatamente como funcionava porque entrou depois. Expliquei de maneira descontraída, ele perdeu e todo mundo começou a olhar para mim, brincando: ‘E aí, professor? O desafio foi cancelado?’. Então eu disse: ‘Leo, você tem que fazer as flexões porque perdeu’. E ele fez, como qualquer outro jogador. Depois, no jantar, veio falar comigo, brincando: ‘Você não me explicou direito as regras e eu perdi’, mas em tom de cumplicidade”, contou Luis Martin.



