Imigrantes haitianos em RO dividem torcida entre Brasil e Haiti na Copa
Haitianos em RO dividem torcida entre Brasil e Haiti na Copa

Desde criança, Valner Dieudus acompanhava os jogos da Seleção Brasileira no Haiti. Agora, morando no Brasil, viverá uma experiência inédita: pela primeira vez, verá o país onde nasceu enfrentar a equipe que despertou sua paixão pelo futebol. O duelo entre Brasil e Haiti acontece nesta sexta-feira (19), pela Copa do Mundo. Mas afinal, para quem eles devem torcer?

A partida ocorre no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, Estados Unidos, às 21h30 (horário de Brasília). Embora não existam estimativas oficiais sobre o número de haitianos em Rondônia, a Associação dos Haitianos em Porto Velho (ASSPO) reúne cerca de 100 associados e avalia que a comunidade é bem maior na capital. Para entender como a comunidade vive a expectativa para o jogo entre Brasil e Haiti, o g1 ouviu Valner Dieudus, Veniel Etilien, Everson Ademat e Jean Rubens Dorelus. Entre memórias da infância, eles revelaram como o futebol ajudou a aproximar os dois países.

Paixão pelo futebol e influência brasileira

Para Valner Dieudus, motorista de aplicativo, o futebol faz parte do cotidiano de muitos haitianos e, embora a paixão pelo esporte seja vivida de forma diferente do Brasil, a Seleção Brasileira sempre exerceu forte influência sobre os torcedores do país. Segundo Valner, acompanhar os jogos do Brasil ajudou a aproximar gerações de haitianos do futebol e inspirou muitos jovens atletas.

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A seleção haitiana tem pouca tradição em Copas do Mundo. Sua primeira participação ocorreu em 1974. Cinquenta e dois anos depois, o país volta ao torneio. "Esta é apenas a segunda vez que a seleção participa. Eu nem tinha nascido quando aconteceu a primeira participação, apenas ouvi falar sobre ela. Por isso, viver esse momento agora é algo muito especial e representativo para nós", conta Valner, um dos haitianos que vivem em Rondônia.

Para ele, independentemente do resultado, a simples presença do Haiti no maior torneio do futebol mundial já representa uma conquista histórica. "Estou muito feliz por poder presenciar esse momento histórico para o Haiti. Sabemos que temos jogadores de qualidade e confiamos neles. Independentemente do resultado, já é motivo de orgulho ver o Haiti disputando uma Copa do Mundo", conta.

Torcida dividida entre os dois países

O motorista de aplicativo e ex-jogador de futebol Veniel Etilien acredita que a seleção haitiana pode surpreender os favoritos da competição. "Acredito que Haiti e Brasil podem se encontrar lá na frente, na final da Copa do Mundo", disse confiante.

Jean Rubens Dorelus, por outro lado, tem o desejo de ver o Haiti fazendo história, mas aposta em uma final entre Brasil e Portugal. "Eu gostaria de ver o Haiti chegar longe, mas reconheço que ainda há muita coisa para melhorar. Pensando de forma realista, acredito que a final será entre Brasil e Portugal. Gostaria de ver esse título voltando para o Brasil", opina.

Geração que nunca viu o hexa

Aos 21 anos, o motorista de aplicativo Everson Ademat faz parte da geração que nunca viu o Brasil conquistar uma Copa do Mundo. Assim como muitos brasileiros nascidos após 2002, ele alimenta o sonho de presenciar o hexacampeonato. Ele acredita que o empate com Marrocos pode ter desanimado parte da torcida brasileira, mas lembra que campanhas vitoriosas também enfrentam dificuldades.

"A Argentina perdeu o primeiro jogo em 2022, mas o Scaloni conseguiu ajustar a equipe e acabou sendo campeão. Se o Brasil conseguir melhorar daqui para frente, colocar quem merece jogar e corrigir os erros, acredito que pode conquistar o hexa", relembra.

Além de acompanhar a Seleção Brasileira, ele também segue de perto os jogos do Haiti e considera a atual geração haitiana uma das mais fortes que já viu. "Já vimos seleções menores fazerem história no futebol mundial. O Haiti precisa manter a bola no chão e jogar o futebol que sabe. Se conseguir fazer isso, pode surpreender", disse.

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Everson destaca que boa parte do elenco haitiano atua no futebol europeu e aponta jogadores como Wilson Isidor, Jean-Ricner Bellegarde, Woodensky Pierre, Ruben Providence e Duckens Nazon como atletas capazes de criar dificuldades para a defesa brasileira. Apesar da confiança na equipe haitiana, ele considera França, Espanha e Brasil os principais favoritos ao título. Sua aposta é uma final entre Brasil e França. Ainda assim, admite que seu desejo pessoal é ver o Haiti protagonizando uma campanha histórica.

"A gente cresceu vendo nossos pais torcerem para o Brasil. O futebol brasileiro é uma referência para o Haiti e influenciou gerações de jogadores haitianos", finaliza.