Didier Deschamps chegou à sua 20ª vitória em 25 confrontos em Copas do Mundo nos 2 a 0 que a seleção francesa impôs sobre a de Marrocos, nesta quarta-feira (9), na primeira partida das quartas de final do Mundial. Um cartel invejável, com apenas duas derrotas e três empates, que começou a ser construído no torneio disputado no Brasil, em 2014.
Início do trabalho de renovação
Foi o início do trabalho de renovação da geração vice-campeã em 2006, na Alemanha, herdada de Raymond Domenech. Hoje, quem assiste ao conjunto de Mbappé, Dembélé, Olise, Dué e cia percebe claramente que o avanço francês não se dá só pelo talento — há organização e estratégia.
O ex-volante, capitão do time campeão em 1998, naquela vitória sobre a própria seleção brasileira, assumiu a seleção francesa em 8 de julho de 2012. Completa, portanto, nesta semana 14 anos no comando, caminhando para sua terceira final do Mundial — já preparando uma nova safra de jogadores com idade entre 20 e 24 anos, com tempo para jogar, no mínimo, mais duas edições.
Números impressionantes
No total, além do impressionante número de vitórias, Deschamps tem 56 gols marcados e 19 contra nos 25 jogos disputados. A média é de 14 a favor por edição e 2,2 por jogo; e quatro sofridos por torneio e 0,76 por jogo.
É claro que há por trás de Deschamps um trabalho estrutural, de mapeamento de filhos e netos de imigrantes, nascidos na França, o que o ajuda na formação de uma equipe competitiva. Ainda assim, na atual edição disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, são mais de 70 jogadores servindo seleções africanas, em especial. A Argélia inscreveu 13 deles, o Haiti, 12, e a República Democrática do Congo, 11. Mas havia “francês” no time de Senegal, da Tunísia, da Costa do Marfim e também de Marrocos, que acabou não aguentando a força do atual vice-campeão do mundo, favorito ao título.
Lições para o Brasil
Por mais cruel que tenha sido as eliminações do Brasil nas duas últimas Copas, caindo em 2018 para a Bélgica e em 2022 para a Croácia, o modelo empregado pela CBF em 2016, dando a Tite dois ciclos de trabalho, praticamente, completos não deveria ter sido abandonado. Porque com a implantação das datas-Fifa, restringindo a obrigatoriedade da cessão de jogadores pelos clubes, ficou difícil reunir os mais talentosos; e com a estratégia da Uefa de criar várias competições de seleções do Continente, ficaram difíceis os amistosos com adversários europeus.
Defender a troca de comando na seleção, com o pouco tempo de trabalho dado a Ancelotti, é das maiores besteiras para o momento. Momento, aliás, seguido por escolas tradicionais, que decidiram investir em treinadores que construíram a carreira conquistando títulos das principais Ligas do Velho Continente, como Jorge Jesus em Portugal, Jurgen Kopp na Alemanha, e o próprio Thomas Tuchel na Inglaterra, que neste sábado (11) enfrenta a Noruega, que tomou a vaga do Brasil nas quartas de final.
Encerro afirmando que a seleção brasileira já não precisa mais de treinador – nem de espelho.



