Falta de super-herói afasta Brasil do protagonismo em Copas
Falta de super-herói afasta Brasil do protagonismo em Copas

Procura-se um fenômeno. As atuações de Harry Kane, Erling Haaland, Kylian Mbappé e Lionel Messi evidenciam que um dos problemas que afastam o futebol brasileiro do protagonismo em Copas do Mundo ainda é a falta de um super-herói — no sentido mais extraordinário da palavra. Em última análise, de um fenômeno. A CBF tem esse diagnóstico, mas não o explicita. Acredita que Vinicius Júnior possa exercer o papel. É evidente, porém, que essa consolidação, o desejo de interpretá-lo, depende do próprio jogador no dia a dia de seu clube.

Números que mostram a diferença

Não custa lembrar: somando gols e jogos feitos com as camisas de seus respectivos clubes e seleções, Kane chegou à Copa com 67 gols ao final da temporada de 59 jogos. Haaland fez 60 em 52; Mbappé, 49 em 55; e Messi, 45 em 47. Vinicius Júnior tinha 24 em 64. E, com exceção do brasileiro, todos fizeram mais de um gol por jogo no Mundial: Kane, seis em cinco; Haaland, sete em quatro; Mbappé, sete em cinco; Messi, oito em cinco. O brasileiro saiu com quatro em cinco.

Análise simplista, mas com respaldo histórico

É uma análise simplista, que reduz a ideia de que a presença de um "super-herói" suplanta erros estruturais, mas encontra respaldo na trajetória da seleção brasileira. Não por acaso, os três primeiros títulos tiveram como protagonistas Pelé (1958 e 1970) e Garrincha (1962); o tetra, Romário e Bebeto (1994); e o penta, Ronaldo e Rivaldo (2002). São raros os países que conquistaram o mundo sem sua principal referência. Talvez, de 1950 para cá, a Itália de 2006 seja o único exemplo.

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Vinicius Júnior: o melhor da seleção na Copa

A camisa 7 de Vinicius Júnior, o melhor jogador da seleção brasileira na Copa do Mundo — Foto: Rafael Ribeiro / CBF. Vinicius Júnior, melhor do mundo pela Fifa em 2024, fez nesta Copa suas melhores atuações pela seleção. E poderia ter rendido mais se, contra a Noruega, estivesse ao lado de Éder Militão e Rodrygo, companheiros de Real Madrid; de Paquetá, parceiro de vida e de Flamengo; de Raphinha, que dividia com ele suposto protagonismo; e de Estevão, cuja ascensão remetia ao brilho que tanto se desejava. Vini tentou, mas não teve o superpoder necessário.

O futuro: lições de Messi

Nada, porém, que o impeça de liderar o próximo ciclo. Não precisa conquistar uma Copa do Mundo antes dos 23 anos, como Mbappé, mas encontra na trajetória de Messi um bom respaldo: o primeiro título mundial veio aos 35 e, amparado pelo brilhantismo extraterreno que o move em campo, tem tudo para dar à seleção argentina, aos 39, a sonhada quarta estrela. Vinicius Júnior tem 25 anos, um talento invejável e um ciclo inteiro para dar à seleção de Ancelotti os títulos que ajudou a conquistar no Real Madrid de Ancelotti.

Projeção para as semifinais

PROJEÇÃO: Tudo caminha para duas semifinais fantásticas em uma Copa do Mundo apaixonante: França x Espanha e Inglaterra x Argentina.

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