Descendentes de japoneses torcem divididos em Pilar do Sul no confronto Brasil x Japão
Descendentes de japoneses torcem divididos em Pilar do Sul

Em Pilar do Sul, a 142 km de São Paulo, a partida entre Brasil e Japão pelas fases iniciais do mata-mata da Copa do Mundo tem um significado especial. A cidade abriga uma das mais tradicionais comunidades japonesas do interior paulista, e na escola japonesa do município, onde cerca de 50 crianças e adolescentes de 4 a 16 anos estudam, o clima é de expectativa e coração dividido. Todos frequentam escolas da rede brasileira regularmente e, no contraturno, participam das atividades da instituição, onde aprofundam conhecimentos sobre língua e cultura japonesas.

Camiseta 'meio a meio' une as duas nações

Luciana de Fátima Nogueira Saito, presidente dos pais dos alunos, conta ao g1 que a escola mandou confeccionar uma camiseta especial para a partida, com símbolos que representam as duas nações. "Tem aquele sentimento de 'moro no Brasil, eu torço pro Brasil, mas eu também sou da escola japonesa, também torço pro Japão'. Então a gente conversou, os professores, foi decidido fazer uma camiseta 'meio a meio', duas nações, um só coração", explica.

Programação especial e valores culturais

Para a partida desta segunda-feira (29), às 14h (horário de Brasília), a escola prepara uma recepção especial com decoração de bandeiras dos dois países e apresentação dos alunos do grupo de taikô (tambores japoneses). O objetivo da escola vai além do ensino do idioma: fortalecer valores como respeito, disciplina, cooperação, responsabilidade e gratidão. "A maioria dos alunos que temos aqui, de descendência brasileira, os pais enxergam muito mais a cultura, eles colocam as crianças na escola a procura da cultura. A cultura japonesa é bem rígida. Tanto que não temos inspetores para cuidar das crianças nem funcionários para fazer a limpeza. Os professores são responsáveis pelo ensino, mas os alunos também aprendem desde cedo o senso de responsabilidade. Os mais velhos cuidam dos mais novos e são eles que mantêm as salas organizadas. Uma vez por semana, os estudantes se dividem em grupos para fazer a limpeza da escola", detalha Luciana.

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Corpo docente e rotina dos alunos

A unidade conta com seis professores, sendo dois enviados diretamente do Japão: o professor Akinori Matsuguma, que vive em Pilar do Sul desde setembro de 2024 e retorna ao Japão em agosto, e a professora Yua Tomura, que chegou em março de 2026 e permanece até setembro. Eles dividem as atividades com professores brasileiros fluentes em japonês. Os alunos frequentam a instituição no contraturno: quem estuda à tarde nas escolas regulares tem aulas de japonês das 8h às 10h; os do período da manhã frequentam a Escola Japonesa das 14h45 às 16h45.

Expressões típicas e palpites para o jogo

No clima da Copa, alunos e professores aproveitam para ensinar expressões típicas usadas durante uma partida, como desejar "bom jogo", comemorar um gol ou incentivar a equipe. Os palpites para o placar dividem opiniões: enquanto os professores apostam em uma goleada do Japão sobre o Brasil, os estudantes acreditam em um confronto equilibrado, com vitória da seleção brasileira.

Colônia japonesa em Pilar do Sul

Segundo o Censo 2022 do IBGE, Pilar do Sul tem cerca de 28 mil habitantes, com mais de 800 pessoas de origens asiáticas. A presença japonesa começou em 1945, com famílias de imigrantes atraídas pelas terras férteis. Em 1955, chegaram os Cotia-Seinem, jovens imigrantes agrícolas trazidos pela Cooperativa Agrícola Cotia, que após alguns anos se tornavam independentes. A comunidade mantém vivas as tradições culturais por meio de instituições como a Escola Japonesa.

Contexto do mata-mata

O jogo entre Brasil e Japão marca o encontro de duas seleções com histórias distintas em Copas: o Brasil, pentacampeão e único país presente em todas as edições, terminou a primeira fase na liderança do Grupo C; o Japão avançou invicto em segundo lugar no Grupo F, mantendo campanha consistente.

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