Mãe de Paquetá, Cris Tollentino revela bastidores da gestão de carreira do filho
Cris Tollentino: de mãe a gestora da carreira de Lucas Paquetá

No dia seguinte à vitória do Brasil por 6 a 2 sobre o Panamá, os stories de Cris Tollentino nas redes sociais transbordavam orgulho materno. Seu olhar, porém, vai além da simples satisfação de ver o filho Lucas Paquetá brilhar em campo. Cris é também uma gestora profissional que aprendeu o beabá do futebol e hoje atua como mentora de pais de jogadores.

Mentoria para pais de atletas

Aos 50 anos e com pelo menos 15 de experiência no esporte, Cris criou um programa de mentoria voltado para pais de jogadores. A iniciativa funciona como uma amiga experiente que oferece conselhos para evitar os erros comuns na carreira esportiva. "Senti a necessidade de ajudar outras famílias a se estruturarem e entenderem que uma coisa é ser pai e mãe, outra é gerir a carreira de um filho. Não separar isso é a origem de grandes problemas. É preciso que a emoção dê lugar à razão, por mais difícil que pareça", explica.

Da base ao topo

Cris destaca que o trabalho com atletas varia conforme a fase da carreira. "Quando o atleta está nas categorias de base, há todo um trabalho de construção de imagem e conscientização. No caso de jogadores que já chegaram ao topo, o caminho é outro: muitas vezes é preciso desconstruir essa imagem e refazer o processo", conta. Embora não revele nomes por questões éticas, ela já auxiliou craques que vestiram a camisa da seleção brasileira em outras ocasiões.

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Sacrifícios e aprendizado

Mãe também de Matheus Paquetá, hoje jogador de futebol mano a mano (X1), Cris relembra os desafios enfrentados. Moradora da Ilha de Paquetá, ela precisou se mudar para que os filhos pudessem treinar. "Primeiro, coloquei os meninos na escolinha como brincadeira, porque diziam que eles levavam jeito. Quando a coisa ficou séria com Lucas, a primeira medida foi sair da ilha", recorda. Cabeleireira, ela passava até 12 horas fora de casa com apenas o dinheiro para condução e lanche dos filhos, muitas vezes ficando sem comer. Em outros dias, atendia clientes a domicílio enquanto os filhos dormiam no carro após os treinos.

"Entender que nada vem fácil é um dos primeiros passos. O problema é que muitos pais param de trabalhar assim que os filhos começam a ganhar dinheiro. Outros não se interessam pela gestão, entregam contratos a 'empresários' que nem são do ramo e acabam prejudicados. Vi muito craque se perder", observa.

Respeito e profissionalismo

Cris afirma que nunca foi vítima de machismo em um meio predominantemente masculino. "Sentei à mesa de todos os clubes pelos quais Lucas passou. Se falaram de mim, foi pelas costas", diz. Ela entende e gosta de futebol, e desde cedo ensinou os filhos a respeitar a profissão e não se deslumbrar. "Quando Lucas começou no profissional do Flamengo, ele me ligou de uma viagem perguntando se podia comprar um videogame porque todo o time estava comprando. Perguntei: 'Você precisa?'. Sempre ensinei o valor das coisas e que a carreira é curta, é preciso pensar a longo prazo. E digo sempre aos pais: não parem de trabalhar".

Empreendedorismo e planos futuros

Além da mentoria, Cris dirige a Paquetá Sports, gerencia a carreira de atletas iniciantes e abriu um salão de beleza no Leblon, zona nobre do Rio. "Passo lá pelo menos duas vezes por semana para ver como tudo está funcionando. Tenho veia empreendedora, nunca fui de ficar parada", garante. Sobre a estreia da seleção na Copa, no dia 13, nos EUA, ela ainda não sabe se conseguirá assistir. "Em algum momento vou viajar, mas estou ajustando a agenda de alunos. Ainda planejo lançar um podcast com entrevistas e conteúdos da mentoria. Passo muito tempo respondendo garotos que sonham em defender o Brasil com a mesma camisa que meu filho vai usar".

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